segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ODE A ALEXANDRE O'NEILL

 
Contra o tédio predominante dos dias pequeninos
a blague na ponta aparada da língua mãe
Contra as vagas de tristeza a remoer na nossa direcção
a boutade que atravessa o leito de estiagem
Contra a cruz de insatisfação carregada no calvário da existência
a charge nas arenas redondas das cabeças quadradas
 
Para quê morrer vagarosamente
se a vida passa como um TGV por estações abandonadas?
 
A favor dos homens na terra
os ossos saturados de apatia
que estrumam extravagantes corolas de mel

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