quarta-feira, 12 de agosto de 2026

UM MOTIVO FÚTIL

 


   Nos dados autobiográficos que ditou em 1985, O'Neill é parco em informações sobre os anos de 45 (de que nem fala) e de 46, relativamente ao qual refere apenas uma zanga com o pai que o levou a sair de casa. As incompatibilidades, tanto com o pai como com a mãe, levaram então Alexandre a abandonar o lar «por um motivo fútil.» Segundo Laurinda Bom, O'Neill gostava de reproduzir, anos mais tarde, o seguinte diálogo, no qual se nota certo tom surrealista (o guarda-chuva, de novo...)!
   «- Alexandre, leva o guarda-chuva.
   - Não é preciso, Pai. Não chova.
   - Chove. Leva o guarda-chuva.
   - Não é preciso, Pai.
   - Já te disse que levas o guarda-chuva.
   - Não levo o guarda-chuva e nunca mais cá apareço.»

Maria Antónia Oliveira, in Alexandre O'Neill, Uma Biografia Literária, Assírio & Alvim, Abril de 2024, pp. 61-62.

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