segunda-feira, 28 de setembro de 2026

50 x 48

 


A relevância de Frank Zappa na história da música ainda está por ser reconhecida no nosso país. Aí estão o primeiro a solo, após a dissolução dos The Mothers of Invention, e o derradeiro dos registos de um génio que fez da música também um meio de ultrapassar fronteiras e desfazer o muro do preconceito. Entre Hot Rats (1969) e The Yellow Shark (1993), considerado por Tom Waits um dos seus álbuns preferidos, muita coisa aconteceu, mas o jazz no primeiro e a influência da música clássica no segundo servem e bastam para entender o alcance de Zappa enquanto compositor. Hot Rats reúne seis temas, apenas um com voz. A de Captain Beefheart, em Willie The Pimp, num registo rock psicadélico muito ao sabor daqueles tempos, com um extraordinário solo de guitarra do próprio Frank Zappa. O primeiro tema, Peaches en Regalia, desloca-nos para o jazz de fusão com uma das melodias mais bem-dispostas de que há memória. Todos os restantes temas são autênticas obras de arte, nomeadamente The Gumbo Variations, com extraordinários solos de sax, por Ian Underwood, e violino, por Don “Sugarcane” Harris, um tema que estará na base daquilo a que 30 anos depois se deu o nome de post-rock. Se The Yellow Shark foi descrito pelo próprio Zappa como um dos seus projectos mais representativos de composição para orquestra, Hot Rats é magistral no modo como aproximou o rock do jazz, abrindo caminho para inúmeras experiências posteriores de fusão, encontros, cruzamentos, misturas, miscigenação musical. Uma pessoa olha para os EUA actualmente e pressente a falta que faz um Frank Zappa em cada esquina daquele inferno. 

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