Há pessoas sobre cujo desaparecimento se abate um silêncio incomodativo. Este ano vão dois, e por isso o incómodo faz-se sentir ao
quadrado. É possível que me tenha escapado a referência breve, mas nada
desculpa que Jorge Fallorca tenha desaparecido sem que tenha sido oferecido aos leitores a oportunidade de saberem quem foi e o que deixou feito. Sucede algo
semelhante, entretanto, com Dóris Graça Dias, que em tempos gerou vagas enormes
de indignação por causa de uma acusação de censura (relembrei-me disto). Censurados em vida e na
morte, certos autores parecem impor-se pela sua excepcional capacidade de incomodar. Não precisam de muito, basta-lhes escrever ou calarem-se para
sempre. Os órgãos de comunicação social não têm que ser enciclopédias de obituários,
mas pelo menos à hora da morte podiam exercitar alguma pedagogia. A imagem ao alto
foi respigada aqui.
3 comentários:
Sem querer contradizer o que diz, e que, aliás, subscrevo, saíram breves notas:
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4075053
http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/morreu-a-escritora-e-critica-literaria-doris-graca-dias-1666249
Mais alguma coisa que tenha saído não contradiz o 'espírito' do que o Henrique aponta.
Desculpe. Reparei, depois, que o link que o Henrique indicava era o mesmo... Estava (eu) a bater no ceguinho...
Estive de férias, mas não estive totalmente desligado. Comprei Público e Expresso. De vez em quando, via o telejornal. Só dei pelo desaparecimento agora, no regresso, através dos weblogs.
Quanto ao Fallorca, o silêncio foi gritante. Por assim dizer.
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