quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
UM POEMA DE CHARLES BUKOWSKI
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
FUENTE VAQUEROS
a rosa como sangue está;
o orvalho não a toca
com medo de se queimar.
Aberta ao meio-dia
é dura como um coral,
o sol assoma aos vidros
para vê-la brilhar.
Quando nos ramos começam
os pássaros a cantar
e a tarde desmaia
nas violetas do mar,
põe-se branca, branco
de uma face de sal;
e quando a noite toca
o suave corno de metal
e as estrelas avançam
enquanto os ares se vão,
na raia da escuridão
começa a desfolhar.
sábado, 2 de agosto de 2025
ANTOLOGÍA: LA POESÍA DEL SIGLO XX EN ARGENTINA
que arrume os quartos, mexa o café
e traga a minha mãe, fresca,
a esta tarde de Agosto,
folheio revistas estúpidas, escuto discos velhos
e pergunto-me em que momento
os dinossauros terão sentido
que alguma coisa andava mal.
Versão de HMBF.
quinta-feira, 31 de julho de 2025
TAXODIUM DISTICHUM
domingo, 27 de julho de 2025
EXÍLIO
"expulsos da selva no sul de Sumatra pelos homens que a povoaram, 135 elefantes iniciaram hoje uma longa marcha de 35 dias até à nova cidade que lhes foi destinada"
Ontem expulsaram-nos da selva em Sumatra,
amanhã alguém os impedirá de entrar no Unión Bar.
Integro a manada que vai para Lebong Hitam,
sigo a fêmea líder,
carrego o fardo de todas as minhas malas sobre as
quatro patas do inferno.
As presas investem contra teias de neblina.
Chegaram ao destino,
cercas velhas sucumbem sob marés de carne.
Chegaram - diz o diário -.
e a minha pátria - a minha - é só esta manada de elefantes
que perdeu o seu rumo.
Que a selva impenetrável guarde o ulular das bestas!
tambores e petardos, acompanham.
É meu um pouco da poeira que levantam.
Versão de HMBF.
sábado, 26 de julho de 2025
GOTA A GOTA
domingo, 20 de julho de 2025
UM POEMA DE MIRIAM REYES
segunda-feira, 9 de junho de 2025
O EMPENHO ABSURDO DOS GOLFINHOS
ÓSCAR. – Receio que sejamos homens castigados sendo homens. E é tudo.
CERZALES. – Ou tubarões castigados sendo homens.
ÓSCAR. – Antes homens castigados como tubarões com corpo de homem. Isso faz sentido. Animais em continuo movimento. Se um tubarão pára, se fica imóbil, morre asfixiado.
CEREZALES. – (Rindo, impondo a voz.) Animais solitários sempre à espreita. Preparados para atacar a presa com todas as suas fileiras de dentes. (Deixa de se impor.) Assim creio. Que alguns de nós são de facto tubarões.
ÓSCAR. – (Rindo.) Também há algumas baleias. E chernes. E caranguejos a andar para trás... Tens razão, este oceano está cheio de peixes.
LUISA. – Mas não eram mamíferos?
ÓSCAR. – Mulher, é uma forma de dizer...
sexta-feira, 16 de maio de 2025
L'ÉCLIPSE DU 11 AOÛT
A história de Marguerite Frioul é uma lenda daqui sobre uma tricotadeira medieval que foi acusada de bruxaria e condenada à fogueira. Quando subiu à pira e pediu o último novelo de lã antes de morrer, este foi-lhe trazido, entregaram-lho, e ela acabou levada pelos ares graças a um fio de lã atado ao dedo. Desapareceu atrás da colina.
A história de Marguerite Frioul era minha. Contei-a ao meu anjo da guarda quando acordei de um sonho em que a paisagem me engolia. Fiz com que durasse. Agarrei-me ao fio de lã. As mães já não tricotam. Tens óculos de sol que atendem aos padrões europeus? Troco um casaco de peles por óculos segundo as normas.
quarta-feira, 23 de abril de 2025
ORESTES (fragmento)
domingo, 9 de março de 2025
THE BLEEDING TREE
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
TRÊS POEMAS BREVES DE ANTONIO CISNEROS
sábado, 3 de agosto de 2024
UM POEMA DE ANTONIO CISNEROS
É fácil deduzir quanto-o quê-como comem os vizinhos pelas latas abertas e atiradas para o pátio de trás.
A crédito com uma vela, com dinheiro vivo são duas. Gordura para um ano: burguesia inexperiente / Henrique o Navegador: para um fim-de-semana.
E hoje dedicaram-se a resgatá-los, a cobri-los com toldos, a amarrá-los aos postes da praia.
E alguns renovaram os prazos do seguro — que, chegado o Outono, é mais barato. Agora, até ao Verão
Henrique o Navegador e os demais vão controlar a pulsação, o açúcar no sangue.
Duas embarcações de guerra protegem-nos do gelo e dos ventos.
quarta-feira, 24 de julho de 2024
TODOS PÀJAROS
WAZZAN:
Um pássaro vem ao mundo e sobrevoa as águas do mar no primeiro voo. A luz
permite entrever peixes de escamas prateadas sob a superfície. Comovido com tal
beleza desconhecida, o pássaro deseja ir ao seu encontro e voa na direcção do
mar. Mas os outros pássaros, seus congéneres, detêm-no antes que alcance as
ondas. «Não!», diz-lhe o mais sábio, «que jamais te ocorra andares com essas
criaturas. São completamente diferentes de ti e, se andasses com elas,
morrerias, tal como elas morreriam se andassem connosco. Não fomos feitos nem
para nos conhecermos nem para viver juntos». O pássaro obedece e segue a sua
vida, mas de cada vez que observa o mar o seu coração dá reviravoltas. Fica
taciturno, deixa de cantar. Até que um dia, oprimido por uma sentença demasiado
pesada de carregar, pensa que prefere sentir apenas um momento de êxtase a ter
um longa e desgraçada vida, e dobra as asas! Do céu azul cai a pique até ao
azul do mar atravessando a sua superfície. Então, debaixo de água, submergindo
até ao abismo da luz, o pássaro abre os olhos durante o pouco tempo que lhe
resta. Uma infinidade de peixes multicoloridos! Inimaginável abismo acetinado!
Indescritível beleza do diferente! O seu coração inflama-se! O seu fim
aproxima-se, mas já não está preocupado, pois anseia pelo outro, o diferente, e
esse anseio e tão absoluto, tão imenso, tão espiritual que justamente quando a
morte o quer levar, crescem-lhe guelras no pescoço! E respira! Respira! O
pássaro respira! E enquanto respira, voanada, desliza entre os peixes de
escamas douradas, jade e rosa, tão subjugados por ele como ele por eles, e,
depois de os cumprimentar, o pássaro pronuncia as palavras mágicas: «Aqui
estou! Sou eu! Sou o pássaro anfíbio, aqui, entre vós, sou um de vós, sou um de
vós!».
Wajdi Mouawad, in Todos pájaros, versão de HMBF a partir da tradução espanhola de Coto Adánez, Ediciones La uÑa RoTa, Noviembre de 2020, pp. 159-160.
sexta-feira, 19 de julho de 2024
TEATRO FILOSÓFICO
quinta-feira, 4 de julho de 2024
UMA FLOR NA TEMPESTADE
um nome para o Sem Nome e como prova
nomeia um nome.
Aquele que num esforço interminável
aprendeu a viver sem nome
uiva de angústia
e cambaleia no nome
que como prova
nomeou o perdido.
O Sem Nome
perde-se no nome
para o seu nome nenhum. E cambaleia
na tempestade do uivo: perdido
na tempestade
a exibir uma flor nascida
da angústia do seu esforço interminável
para provar Deus
: na tempestade
perdido à procura
do que perdido se perde
assim nomeado
com esse nome.
segunda-feira, 27 de maio de 2024
ESTA CRIANÇA
— Mas você não empurra.
— Está a reter a sua criança, senhora.
— Está com medo.
— Ela retém a criança.
— Não tem que ter medo.
Mas eu não tenho medo.
A criança quer sair.
Eu quero que ele saia.
— Você pode gritar não tenha medo de gritar pode gritar.
— Ajude-nos, senhora.
Ajudem-me vocês.
— Nós não fazemos isso.
— Não está relaxada.
— Não relaxa.
— Não tenha medo de gritar.
— Mas ela grita o suficiente.
Eu quero que ele saia.
Mas está a retê-lo.
Eu quero que ele saia.
— Não o retenha.
— Está cansada.
— Mas a criança não sai.
— Ela retém a criança
— Não a retenha mais, senhora.
Eu quero que ele saia.
— A criança vai sair, senhora.
— Empurre.
— Faça-a sair.
— Você não a quer trazer para fora.
— Empurre.
— Não grite mais mas empurre.
Eu empurro.
— Respire.
— A criança vem a caminho mas você está a retê-la.
— Porque não sai?
— Ela está a retê-la.
— Onde está o pai?
— Não há pai, nunca houve.
— Havia um homem.
— Não era o pai.
— Era um homem.
— Não retenha mais a sua criança, senhora.
Eu quero que ele saia.
— Está a reter a sua criança.
— Não pode continuar a guardá-lo no interior.
Não vou guardá-la no interior.
Então empurre.
Receio que não queira sair.
É você que o está a reter.
Sinto que ele está com medo.
É você quem está com medo.
Temos que acabar com isto agora.
sábado, 25 de maio de 2024
NO CORREDOR
O papel de parede no corredor, os candeeiros na parede, as fotografias emolduradas, se as houver.
Na cozinha, tudo igualmente datado. Os móveis, os acessórios, o forno, o frigorífico, o lava-louça. Tudo cheira a século passado.
A toalha de mesa, a ausência de toalha, o oleado, a madeira, a fórmica, os talheres, os copos, tudo datado.
De quando? De antigamente. Do tempo em que tudo era novo, do tempo em que podiam acreditar que estavam vivos e felizes.
sábado, 16 de março de 2024
DOIS POEMAS DE HART CRANE
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
DOIS POEMAS DE CHARLES BUKOWSKI


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