Khamenei sucede a Khamenei, num sinal claro do sentido que esta guerra tem. Em directo imprecavido, vimos um míssil iraniano cair em Tel Aviv. Ao que parece, a democracia israelita pune quem divulgar imagens dos estragos da guerra em território interno. O petróleo em Teerão arde, espargindo a cidade com uma chuva negra. Uma forte explosão foi ouvida em Oslo, junto da embaixada dos Estados Unidos. A guerra continua, o aumento do custo de vida também. A indústria do armamento prospera, tal como o ódio e a morte.
antologia do esquecimento
domingo, 8 de março de 2026
ENCENA-SE UM DIRECTO
Khamenei sucede a Khamenei, num sinal claro do sentido que esta guerra tem. Em directo imprecavido, vimos um míssil iraniano cair em Tel Aviv. Ao que parece, a democracia israelita pune quem divulgar imagens dos estragos da guerra em território interno. O petróleo em Teerão arde, espargindo a cidade com uma chuva negra. Uma forte explosão foi ouvida em Oslo, junto da embaixada dos Estados Unidos. A guerra continua, o aumento do custo de vida também. A indústria do armamento prospera, tal como o ódio e a morte.
sábado, 7 de março de 2026
AS SINOPSES DAS VÍSCERAS
sexta-feira, 6 de março de 2026
50 x 40
"Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável": Mão Morta
Foi o último disco de rock português a entusiasmar-me verdadeiramente, já lá vão 28 anos. De uma coisa não podem os Mão Morta ser acusados, da rendição ao vazio absoluto que tem vindo a tomar conta de nós. Depois de Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável (1998), concebido a partir das teses situacionistas, já nos ofereceram material inspirado no Conde de Lautréamont, abordaram as teorias apocalípticas, exploraram o caos climático em que estamos envolvidos, etc. E isto leva-me a outros temas. Na Assembleia Municipal de Lisboa, a 13 de Janeiro de 2026, a deputada Margarida Bentes Penedo, com a pasta da Habitação no Governo Sombra do Chega – na Cultura teríamos Teresa Nogueira Pinto (rica peça) – airou-se à linha artística do Teatro do Bairro Alto. Mais recentemente, foi visado o Teatro Animação de Setúbal, atacado pelos vereadores do Chega por ter uma “agenda ideológica”. Em causa uma peça de Rui Zink, imagine-se, intitulada “Manual do bom fascista”, e um recital de poesia Queer – os do Chega pronunciam Quer. Estes ataques à cultura vão repetir-se, são ataques não à cultura em sentido lato – a das picarias e touradas não os afecta, nem outros inócuos entretenimentos de massas -, mas a opções de programação, sempre na base do mesmo argumento: estar o dinheiro público a financiar aquilo a que eles chamam “endoutrinação”, exactamente o mesmo argumento utilizado contra a disciplina de Cidadania. Ora, a endoutrinação ou endoutrinamento é precisamente o que a extrema-direita faz ao pretender limitar o acesso à diversidade, ao pretender restringir a produção cultural à cultura de massas anódina, ao tentar cercear as liberdades criativas apontando o dedo ao que julgam ser minorias privilegiadas. Qualquer objecto cultural que aborde temas como o racismo, a identidade de género, o problema da imigração, a violência doméstica, ou se foque, por exemplo, no crescimento dos populismos e da extrema-direita conservadora, cristalizante, será sempre por essa gente considerado doutrinário, na medida em que não admitem o debate, a reflexão, a discussão como um propósito artístico inerente à própria criação, olham para um objecto artístico como um produto fechado, propagandístico, reduzido a uma ideia de utilidade prática que não deve transpor as fronteiras do entretenimento. Foi sempre assim, temos os exemplos fornecidos pela História do século XX. A única forma de resistir a isto é unir forças no sentido de propor, através da diversidade – eu, por exemplo, sou consumidor de cultura de massas, já papei tudo o que é festivais de música neste país -, alternativas o mais abrangentes possível, estimulando o debate, a reflexão crítica, provocando até quando é necessário provocar, derrubando os muros que impedem a crítica. Sem essa energia transformadora vamos acabar comidos pelo “espectáculo” vazio, inofensivo, do mero entretenimento, esse sim verdadeiramente doutrinário da letargia legitimadora dos males que assolam o mundo. Sem estarem confinados pelo meio, os Mão Morta nunca deixaram de andar no interior do meio desbravando caminho para as margens. Honra lhes seja feita.
quinta-feira, 5 de março de 2026
NOTÍCIAS DA GUERRA
Alguém fala sobre a teocracia norte-americana?
*
À margem do direito internacional e sem qualquer
justificação minimamente credível, duas das maiores potências militares do
mundo unem-se na agressão a um país com raízes ancestrais. Ao pé do Irão, tanto
Israel como os Estados Unidos são jovens imberbes. Para alguns comentadores que
por aí proliferam como cogumelos tóxicos, o Irão tem um regime horrível que
deve ser aniquilado. Não vale sequer a pena chamar a atenção para tantos outros
regimes horríveis que não mereceram dos actuais agressores nenhuma atenção
especial. Sucede que é no Irão que têm crescido de dia para dia as baixas dos
extraordinários ataques de precisão dos aliados EUA e Israel. No Irão e no
Líbano. Portanto, os maus são os que morrem, não são os que matam. Até ver, não
sabemos de baixas heróicas nos lados de Israel e EUA. Devem estar a ser alvo de
bombinhas de carnaval, os terríveis países que eles atacaram não têm feito
vítimas. Ali e acolá, lá se noticia uma coluna de fumo. Mas nada de vidas
humanas. Ainda bem que os maus deixaram de conseguir matar. O que seria de nós
sem os bons que matam centenas de civis, crianças, velhos, mulheres, jovens,
fazendo explodir bombas em escolas e hospitais? Ufa, que sossego para as nossas
consciências.
*
Vem no The Guardian: "Investigadores
norte-americanos acreditam que o ataque à escola de raparigas iranianas foi
provavelmente levado a cabo pelas forças norte-americanas. As autoridades
militares norte-americanas informadas sobre a investigação fazem revelações,
enquanto o Pentágono apenas confirmou que a investigação está em curso."
Por cá, temos quem não só encontre maneira de justificar isto como de dizer que
foram os iranianos a matar as suas próprias crianças. Nas televisões, criaturas
como Helena Ferro de Gouveia usam a favor de Israel e dos EUA os mesmos
argumentos que Putin usou para invadir a Ucrânia. Tudo o que na Ucrânia era
inadmissível é agora compreensível.
Se a ideia é salvar o povo iraniano de uma tirania
desumana, quem salvará o mundo dessas tenebrosas figuras que dão pelos nomes
Donald Trump e Benjamin Netanyahu?
quarta-feira, 4 de março de 2026
VEM NO DIÁRIO DE LEIRIA
" Cerca de 51 mil pessoas continuam sem comunicações em 33 concelhos. A situação afeta utilizadores de 33 concelhos (menos três do que em 23 de fevereiro), sendo que clientes da rede fixa afetados eram 40.398, enquanto da rede móvel 10.688." Portugal, 2026.
DESNÍVEL
terça-feira, 3 de março de 2026
CRUSH
segunda-feira, 2 de março de 2026
ALMOCREVE
domingo, 1 de março de 2026
OS BONS ASSASSINOS
IRAQUE 2.0.
sábado, 28 de fevereiro de 2026
BONS EXEMPLOS
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
SE NÃO ESPALMAR, FICA SOLTO
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
NO MEU TEMPO
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
MUSEUS DE OSSOS
Vem no Expresso. A fotografia é excelente, a legenda é óptima. E eu fico cheio de ideias. Por exemplo, roubar ossos para os traficar como se fossem um Van Gogh. Ou abrir um museu de ossadas. Ou, numa acção pelo clima, soltar uma matilha de cães esfomeados sobre os ossos. Ou levar alunos de artes em visita de estudo, largar "conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos..." sobre o chão e dizer: "vá, agora copiem".
REUNIÃO DE TRABALHO
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
DÚVIDAS
TUDO É MUITA COISA
Rui Costa sobre Prestianni: "Posso garantir que ele é tudo menos racista." Já Quitéria garante que um dos maiores problemas da humanidade é as pessoas não se darem conta dos disparates que dizem.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
ADIANTE
domingo, 22 de fevereiro de 2026
AS AVENTURAS PERDIDAS



