Os dias começam sempre à hora errada
e só no fim vencem com a paz do sono
em busca de louros sem espinhos
seguimos em trânsito das aldeias para as vilas
e destas até às cidades
sentindo nos ombros o peso da derrota
que nos devolve ao ponto de partida
e de Bizâncio, que Babilónia afundou-se
e dos impérios restam ruínas e destroços
nada didácticos nesta corrente de futuros babélicos
da fortuna madrasta
do desconcerto do mundo
do mortal quebranto lançado por inimigos
tão fantasmáticos quanto os heróis literários
só com paciência poderá ser regada a planta
até o fruto falar na boca de quem come
como a distribuição das horas pelos calendários
com que ateamos piras
onde cremar frustrações
mas um dia paramos e vemos arrastadas pelas águas
as ambições outrora vigorosas
os sonhos outrora vigilantes
são então coroas de espinhos na cabeça dos vencidos
agradecemos a pateada com sorrisos no rosto
a indiferença é o nosso escudo de Aquiles
contra a espada de Dâmocles
até ao último suspiro
e continuamos depois de mortos
a fazer do fracasso uma festa








