terça-feira, 22 de setembro de 2026

JOSÉ VIALE MOUTINHO (1945-2026)

 


10.
 
Ando cansado, amargurado, sem um sorriso, e os olhos
doem-me ao cair da tarde. Como um anjo aborrecido,
lento, aproximo-me dos livros, dos papéis e tento acender
um fósforo inutilmente. Já não conheço a literatura, meu amor.
 
A literatura não vem nos jornais, embora tropece nos silêncios,
nos degraus, nos bancos do jardim, embora tenha nascido
nocturna. Ando perdido, e nas pedras negras da costa
vejo o último atalho, a garrafa dos apelos finais abandonada.
 
José Viale Moutinho, in Ocasos de Iluminação Variável, Editora Ausência, Abril de 2005, p. 22.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

JORGE PALMA (1950-2026)

 


Morreu o Jorge Palma. Poucos poderão gabar-se de ter vivido tanto e tão intensamente fazendo aquilo que mais amam. Alguns concertos que não esquecerei: 1992, a solo em Rio Maior, piano e guitarra, eu pior do que ele a tentar manter-me desperto com o abismo diante do nariz. Festa do Avante, em várias ocasiões. Aquela na tenda de circo, fomos para lá dormir, eu e a Ana, depois de uma noite passada a receber o calor das brasas num assador de frangos. Frio à noite, calor à tarde, concerto soberbo. São Luiz, memorável. Palma's Gang no Johnny Guitar, eu estava lá e fui feliz. Mais recentemente, no NOS Alive. Sobre este, escreveu-se no Expresso: "Jorge Palma é uma lição: ou como uma lenda da música portuguesa protagonizou um dos momentos mais especiais da história do NOS Alive." Verdade, só ouvisto. Tantos outros mais para lá do que para cá, mas esta mão cheia vou levar comigo. Valeu.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

UM POEMA DE K. P. KAVÁFIS


REMORSO

Di-lo, esse remorso - para que serene; é ele
bem-intencionado, decerto, mas perigosamente enviesado.
Não deixes que o passado tanto te tiranize.
Nem tanta importância dês a ti mesmo.
O mal que fizeste, menor foi
do que acreditas: bem menor.
A virtude que agora te trouxe o remorso
já então estava latente em ti.
Eis que um episódio, que retorna
súbito à tua memória, esclarece
a razão de um teu acto que pouco
louvável te pareceu, mas que agora se justifica.
Não confies demasiado na tua memória:
esqueceste tantas coisas - ninharias diversas -
que te dariam razão suficiente.

Quanto ao lesado, não penses que o conhecias
assim tão bem. Teve decerto alegrias que desconheceste;
e não terão sido afinal arranhões
as feridas - terríveis, julgas tu, por
desconhecimento da vida dele - que lhe infligiste?
Não confies na tua enferma memória.
Serena o remorso, sempre
enviesado contra ti - até à falácia.

[Outubro, 1925]

K. P. Kaváfis, in Aquele Belo Rapaz - poesia completa, tradução de José Luís Costa, posfácio de Tatiana Faia, Assírio & Alvim, Novembro de 2025, pp. 399-400. 


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

SIGUR RÓS NO CAMPO PEQUENO

 

Acontece por vezes pressentir uma muralha no olhar, um filtro, não, uma bolha, não, uma raiva escondida, talvez, inveja, será, um olhar que nos trava, empurra, afasta. Acontece por vezes alguém olhar-nos assim com pedras nos olhos, acontece por vezes alguém parecer-nos inflamado, prestes a explodir, gestos como martelos, acontece. E também acontece quem trema, não de medo, não de frio, mas de paralisia, quem trema de nervos contidos, a ansiedade que toma conta do corpo e se manifesta à superfície das mãos, das faces.  E acontece o cansaço tomar conta de nós como uma corrente no pescoço de um cão, acontece aquela saturação escavadora de abismos, o pensamento sem rumo nem organização, as palavras retidas numa fadiga impaciente. Nada nos acalma, nada pacifica. Acontece muito. Mais raro é no meio do turbilhão a paz emergir e a pele dar de si com arrepios que insuflam o cérebro e te fazem retomar um certo equilíbrio, uma certa esperança, uma certa vontade de permanecer. Acontece muito pensar na morte como alívio, o termo de todas as dores e frustrações, o teu ansiado silêncio, mais raro é acontecer pensar na vida enquanto possibilidade de silêncio recortado por melodias apaziguadoras, regeneradoras. Estamos sempre a renascer da morte em que vivemos. Não sei se mais fortes, se igualmente débeis, pois os olhos murados de pedra inacessível permanecem ameaçadores. Diz-se que o distanciamento é a melhor cura contra a toxicidade, mas o distanciamento pode impelir-nos para uma solidão irreversível. Acontece por vezes ser a proximidade o melhor remédio contra o cansaço de si mesmo. Então, levados pelas ondas de luz e de som, emalados pelo coro e pelas orquestras, mesmo que não nos sintamos rejuvenescidos temos, pelo menos, mais uma razão para dizer: ainda vale a pena respirar.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

UM POEMA DE ALVARO GARCÍA DE ZÚÑIGA

 


questionário-cantilena
questionário para um inquirido

 
Posso colocar-lhe uma questão?
Se eu colocar uma questão, onde a coloco?
Onde estava a questão antes de ser colocada?
Podemos responder a uma questão com outra questão?
Porque podemos responder a uma questão com outra questão?
Será uma resposta?
Ou porventura uma questão-resposta?
Uma pessoa que responda com uma questão é um respondedor?
Ou um questionador?
Pode-se levantar uma questão?
Até onde se pode levantar uma questão?
Pode-se levantar uma questão já colocada?
Porquê colocar uma questão se podemos continuar a levantá-la?
Pode-se colocar uma resposta?
Ou levantar uma questão colocada?
Podemos levantar respostas?
Pode-se levantar uma questão acima da resposta?
Uma questão-resposta é uma questão?
Uma questão-resposta é uma resposta?
Uma boa questão é uma questão que não faz mal à resposta?
Uma boa resposta é uma resposta que não faz mal à questão?
Uma boa questão é colocada num lugar diferente de uma questão vulgar?
Uma questão por colocar, terá ela respostas?
Onde estão as respostas das questões por colocar?
Uma questão por colocar, será ela uma questão?
As respostas das questões por colocar, repousam?
Uma questão põe-se e uma resposta repousa-se?
Se eu carregar uma questão e a colocar, será possível inverter colocação e carregação?
E a questão?
Podemos responder a uma questão invertida?
Uma questão invertida é uma resposta?
Responda.
 
Alvaro García de Zúñiga, in “Peaux et Scies", BlablaLab, Novembro de 2017, pp. 81-82. Original em francês. Versão portuguessível de HMBF.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

FIO MENTAL [fragmento]

 


PSIQUIATRA
[olhando um papel com o histórico clínico do Gestor]
Notou alguma evolução nos últimos tempos?

GESTOR
Sofri uma mudança radical. De acólito passei a apóstata.

PSIQUIATRA
[tomando notas]
Quer elaborar?

GESTOR
Elaborar até posso. Laborar é que não. Já não.

PSIQUIATRA
Percebo.

GESTOR
Percebe mesmo? Deixe-me elaborar. Eu era um tipo que promovia pelo exemplo do trabalho a religião do capitalismo e agora renego tudo isso por palavras, enquanto não encontro actos para o fazer. Tive uma epifania. Caí do cavalo a caminho de Damasco. Apareceu-me Jesus, mas era um hippie anti-sistema, cabeça inclinada, olhar misericordioso, dois dedos no ar como nas gravuras, mas a segurar neles um charro. Logo me censurou: «Eu bem te dizia, o dinheiro é o diabo, e o trabalho uma forma de o adorar.»

Rui Ângelo Araújo, in Fio Mental, Urze Livros, Março de 2025, pp. 58-59.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

A NACIONALIDADE IMPORTA?

 
Ontem falou-se de Nâzım Hikmet à mesa. Nasceu em Salónica, actual Grécia. Fica na região grega da Macedónia, pelo que também podia ser Macedónia. Mas à época do nascimento do poeta, era uma cidade do Império Otomano. Portanto, turca, embora, curiosamente, com população maioritariamente judaica emigrada para a Palestina após a conquista grega em 1912. Caso curioso também é o de Gogol, disputado por ucranianos e russos. Nasceu em Sorochyntsi, Domínio da Poltrávia, Império Russo (hoje distrito de Myrhorod, oblast de Poltrava, Ucrânia). Tanto Gogol como Hikmet morreram em Moscovo. A questão da nacionalidade é central na obra de Konstantínos Kaváfis, "nascido e morrido" em Alexandria, Egipto, é um dos maiores poetas gregos da modernidade. Cidade cosmopolita no tempo de Kaváfis, Alexandria tinha vasta população grega no início do século XX. O que determina a nacionalidade de um escritor? O lugar onde nasceu? A língua em que escreveu? Isso importa?

domingo, 13 de setembro de 2026

UM POEMA DE KAVÁFIS

 



SACERDOTE DE SERÁPIS
 
Meu bom e velho pai,
que com o mesmo afecto sempre me amou:
meu bom e velho pai eu choro,
que morreu anteontem, pouco antes da madrugada.
 
Jesus Cristo, que eu guarde sempre
os preceitos da tua santíssima Igreja
em cada acto, em cada palavra,
em cada pensamento – eis o meu zelo
quotidiano. E a quem vos nega,
abomino. – Mas agora choro:
deploro, Cristo, a morte de meu pai
embora ele tenha sido – terrível é dizê-lo –
sacerdote do execrável Serápis.
 
[1926]
 
K. P. Kaváfis, in Aquele Belo Rapaz – poesia completa, tradução de José Luís Costa, posfácio de Tatiana Faia, Assírio & Alvim, Novembro de 2025, p. 141. Nota de José Luís Costa na p. 443 da mesma obra: «O culto de Serápis, promovido pelos monarcas ptolomaicos no Egipto desde 300 a.C., é um caso evidente de hibridismo, uma amálgama entre deuses egípcios (Ápis e Osíris) e gregos (Zeus, Hades, Asclépio, Dioniso, Hélio), numa tentativa de unidade cultural. O seu templo, o Serapeum (no original), era uma das maravilhas da cidade de Alexandria.» A fotografia foi tirada ontem no Santuário de Panóias, onde, dizem os entendidos, prestar-se-ia culto a Serápis.

sábado, 12 de setembro de 2026

CADÁVER ESQUISITO

 
Era uma vez um médico que era como um íman
tão grave como cogumelos com textura de amendoins
TORRADOS, ACABADOS DE COMER, E O VINHO ENTORNADO
pelo palco, libertando o perfume da poesia
e então, olha, ainda bem que não vieste. De qualquer forma, não teria espaço para ti. A tua presença é como um tipo
de coca-cola, casa de banho ou pano muito malcheiroso!
Ó sapo dum cabrão, lava-te, cheiras a cão.
Rããããã hmmmmmmmmmm
Cããããã, TAN, TAN, PUM, PUM
Poing, fez a bola quando bateu na rede, o público gritou e então o touro
entrou e saiu. foi curto desta vez para variar
como num teatro de variedades
daqueles filhos da mãe que gritavam pelo pai e diziam vai, vai, é um sapo na piscina seca
Na água
 
Cadáver esquisito por Henrique Manuel Bento Fialho, Inês Barros, José Carlos Faria, Nuno Machado e Rebeca Vendrell, a 11 de Setembro de 2026, no Bar Portinha, em Vila Real.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

LER UM POEMA

 


Ler um poema é descer ao fundo de um vulcão, que tanto pode estar em atividade como adormecido. 

João Pedro Mésseder e Rachel Caiano, in Tudo é Sempre Outra Coisa, Editorial Caminho, 3.ª edição, 2014, p. 40.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

TAMBÉM NA ALEMANHA

 
Terminada a leitura da poesia completa de Kaváfis 
pelo José Luís Costa

Também na Alemanha havia
um escol invejável de poetas
os melhores e mais influentes filósofos
compositores de fama mundial
artistas, homens de teatro, cineastas
génios indiscutíveis da razão humana

Na mesma Alemanha onde germinou
a barbárie em geométrica arquitectura
tudo rigorosamente racional
e, sem dúvida alguma, produto
da mais extraordinária criatividade
a maldade foi deveras inspiradora

Talvez devamos precaver-nos
contra tamanhas inteligências
tão axiomáticas nos princípios
com que teorizam os fins:
titãs que geram deuses que criam mortais

Aos homens de génio talvez
devamos preferir o génio dos homens
e as dúvidas e incertezas que alimentam
o motor do pensamento
sem qualquer tipo de subserviência
ou resignação à desmesura das ambições

Preferir gente boa cheia de dúvidas
a génios com o coração
emparedado nas certezas
e deixar o elogio dos simples cantar
nas éclogas de quinhentos
nas bucólicas de oitocentos
nos epitáfios da eternidade

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A VER SE RESULTA

 

Estou sempre a confundir Nikos Pratsinis com Nikias Skapinakis, o que é uma chatice. Nada têm que ver um com o outro, tanto quanto sei, e, no entanto, sempre que pretendo dizer Nikos Pratsinis sai-me Nikias Skapinakis. Escrevo isto aqui a conselho da psicóloga, diz ser a confissão pública uma das melhores técnicas para ultrapassar actos falhados. A ver vamos se resulta.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Tenho ouvido falar de inteligência artificial, quase invariavelmente em tom extremado, ora apocalíptico, ora epifânico. Para uns é o fim anunciado da humanidade, para outros a solução de todos os males. Entre uma e outra versões, procuro o meio termo do ignorante que busca informar-se. Mas, na verdade, confesso ser muito parco o interesse pessoal nesta matéria, cada vez mais inclinado que estou para uma vida sem redes. Sonho com um cantinho no campo onde solidariamente possa conviver com a terra e seus frutos. E nisto ocorre-me que antes da inteligência artificial o homem escreveu a "Odisseia", inventou o livro, descobriu o fogo, arranjou maneira de voar, antes da inteligência artificial o homem desenvolveu inúmeros meios de comunicação, o telefone, a televisão, o rádio, vacinas foram descobertas contra pragas e pestes. Antes da inteligência artificial a cabeça dos homens inventou até, imagine-se, a própria inteligência artificial. Talvez um dia tenhamos que participar em manifestações públicas contra esta invenção, como no passado o velho Russell se manifestou contra o nuclear. O mundo não pára, o bicho homem está sempre com invenções. Talvez tenha sido inventado para isso mesmo. Ou então é simplesmente da sua natura inventar-se, reinventar-se. De uma coisa estou certo, jamais prescindirei do espírito crítico da inteligência natural. É ele que permite a reinvenção, gerando dúvidas mais criativas do que respostas, protegendo-nos das verdades absolutas e seus perigos, abrindo os caminhos da imaginação que faz do erro uma ferramenta, do acidente um valor, do caos um gozo. A inteligência artificial ri?

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

ÁCAROS

 
Podemos sempre dizer “estou-me nas tintas”, andar por ali a ganhar trocos para pagar contas, aturar chatos como quem coça tomates, bebes uns copos, sorrir amarelo mostarda para as víboras ondulantes, deixar as crianças embirrar com energia contra as fontes de desagrado. Podemos sempre dizer “que se foda”, daqui a nada o dia acaba, o mês acaba, o ano acaba, a vida acaba, porque tudo sempre acabará. E de nós quedará o quê? A sombra do que fomos, por certo, se ainda tivermos sombra, um osso mais irrequieto, meia dúzia de memórias a esvaecerem-se com o tempo. Podemos dizer também “olha o passarinho” e posar para a fotografia com sorriso de orelha a orelha, inventando papéis para personagens imaginárias, representar as personagens e seus papéis. Podemos andar aos papéis em busca de alegria de viver, consumir para produzir, a mecânica vetusta do capitalismo agarrando-nos pelos tornozelos até malharmos com as fuças na lama. A cada dia, uma morte, a cada hora, a cada segundo, tudo a morrer e nós a queixarmo-nos de manchas nos dedos. Puta que pariu os dedos e os anéis. Podemos sempre dizer, sim senhor, está certo, muito bem, siga para bingo, dar meia-volta ao Saldanha e continuar a rota do esquecimento no encalço de sossego. Mas agora, vivos, para quê desejar sossego? É um caso perdido dentro do caso perdido que já somos nós, uma redundância, um pleonasmo. Deixá-los andar à solta e nós ali a ver passar passarinhos, deixá-los andar, deixá-los, temos tempo e palavras na manga para mais um ou dois livros com que entreter ácaros.

domingo, 6 de setembro de 2026

50 x 46

 


Por vezes o cansaço é tanto que a concentração dispersa, leva-nos para paragens ruidosas que fazem ansiar por silêncio e solidão. O pântano da mundanidade, chamemos-lhe assim, obriga-nos a estar com quem não queríamos estar, a falar com quem preferíamos não ouvir, a calar, a engolir, e o corpo desequilibra-se e a cabeça dispersa e o caos instala-se. Fechar os olhos, como nos anos 90 ensinava a banda de Stuart A. Staples. Chorar não choro, é raro, ou choro por razões inadvertidas, pueris, uma cena num filme comovente, algo lido que desperta sentimentos recalcados, a memória do perdido ou daqueles que, sem estarem perdidos, a distância como que matou. Por vezes vasculho em cadernos antigos a tentar reencontrar uma caligrafia menos saturada, a caligrafia de um corpo protegido das víboras e dos ratos, da peçonha desses olhos dentados que mordem sem nos tocar. O que é feito da alegria de viver? Onde se meteu ela? Ainda sorrimos, é certo, mas no sorriso contorcem-se os nervos e uma espécie de amargura toma-nos conta da boca. O mais estranho é estarmos cientes dos perigos acarretados pelo envelhecimento. Neste momento, neste preciso momento, falham as palavras, o teclado parece ter as teclas fora do lugar, o abecedário todo baralhado. Em boa verdade, tudo parece fora do lugar e o mais estranho é talvez ser esse o lugar mais apropriado das coisas. Entre o primeiro álbum dos Tindersticks e Simple Pleasure, de 1999, passaram seis anos cruciais: o esgotamento, os ataques de pânico, a depressão. Iniciado um novo século, esforçámo-nos por esconder a dor silenciosa da insatisfação. Hoje alguém disse “genial” e foi como se  nada, nenhum prazer retirado do elogio, nenhuma consolação. Resolvi, então, regressar à banda britânica na esperança de reencontrar, pelo menos, um certo conforto na melancolia das canções, uma orquestração capaz de embalar o tédio. Vou continuar a tentar.