domingo, 8 de março de 2026

ENCENA-SE UM DIRECTO

 
Khamenei sucede a Khamenei, num sinal claro do sentido que esta guerra tem. Em directo imprecavido, vimos um míssil iraniano cair em Tel Aviv. Ao que parece, a democracia israelita pune quem divulgar imagens dos estragos da guerra em território interno. O petróleo em Teerão arde, espargindo a cidade com uma chuva negra. Uma forte explosão foi ouvida em Oslo, junto da embaixada dos Estados Unidos. A guerra continua, o aumento do custo de vida também. A indústria do armamento prospera, tal como o ódio e a morte.

sábado, 7 de março de 2026

AS SINOPSES DAS VÍSCERAS

 
Desaparece um escritor dito maior e lá aparece um desfile de patos e de galinhas nas exéquias, a cacarejarem e grasnarem os maiores disparates. Aposto o tomate esquerdo em como não leram um único livro do defunto, nem aquele que convida o Tony no dia da família, nem o outro que cambaleia pelas ruas, nem aquela que coisa. De resto, o dito maior há muito que não tinha leitores. Quero dizer, tinha os que tinha, mas as vendas haviam decrescido nos últimos anos consideravelmente. Vai agora regressar aos tops, por certo empurrado pela morte e o voo das campanhas necrófagas. Foi assim com a Santa Agustina, assim será com o Santo Antunes e outros lhe seguirão. Lembro-me que nos últimos anos, mais ou menos a partir de "Sôbolos Rios Que Vão" (2010), as devoluções eram consideráveis. No Natal, lá marchavam algumas remessas. Ficava bem oferecer um livro do Lobo, desde que não uivasse para inquietação das almas. Os títulos eram difíceis - "Para Aquela que Está Sentada no Escuro à Minha Espera" (2016), "Até Que as Pedras Se Tornem Mais Leves Que a Água" (2017) -, pelo que os putativos leitores pediam o último Lobo Antunes e pronto, quando pediam. Tantas vezes nem nome de autor, quando mais o barroquismo dos títulos. Aquele que é candidato ao Nobel, diziam. Enfim, a distância entre as palmas e o coração é sempre um fosso imenso onde a inteligência em queda espera não se estatelar. "Como poucos revelou as vísceras da alma e as sinopses do corpo.", disse o dos Negócios Estrangeiros. E eu a desesperar por um jornalista, um único, que lhes perguntasse uma coisa tão simples como: qual o livro dele que aconselha e porquê?

sexta-feira, 6 de março de 2026

50 x 40

 


"Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável": Mão Morta

Foi o último disco de rock português a entusiasmar-me verdadeiramente, já lá vão 28 anos. De uma coisa não podem os Mão Morta ser acusados, da rendição ao vazio absoluto que tem vindo a tomar conta de nós. Depois de Há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável (1998), concebido a partir das teses situacionistas, já nos ofereceram material inspirado no Conde de Lautréamont, abordaram as teorias apocalípticas, exploraram o caos climático em que estamos envolvidos, etc. E isto leva-me a outros temas. Na Assembleia Municipal de Lisboa, a 13 de Janeiro de 2026, a deputada Margarida Bentes Penedo, com a pasta da Habitação no Governo Sombra do Chega – na Cultura teríamos Teresa Nogueira Pinto (rica peça) – airou-se à linha artística do Teatro do Bairro Alto. Mais recentemente, foi visado o Teatro Animação de Setúbal, atacado pelos vereadores do Chega por ter uma “agenda ideológica”. Em causa uma peça de Rui Zink, imagine-se, intitulada “Manual do bom fascista”, e um recital de poesia Queer – os do Chega pronunciam Quer. Estes ataques à cultura vão repetir-se, são ataques não à cultura em sentido lato – a das picarias e touradas não os afecta, nem outros inócuos entretenimentos de massas -, mas a opções de programação, sempre na base do mesmo argumento: estar o dinheiro público a financiar aquilo a que eles chamam “endoutrinação”, exactamente o mesmo argumento utilizado contra a disciplina de Cidadania. Ora, a endoutrinação ou endoutrinamento é precisamente o que a extrema-direita faz ao pretender limitar o acesso à diversidade, ao pretender restringir a produção cultural à cultura de massas anódina, ao tentar cercear as liberdades criativas apontando o dedo ao que julgam ser minorias privilegiadas. Qualquer objecto cultural que aborde temas como o racismo, a identidade de género, o problema da imigração, a violência doméstica, ou se foque, por exemplo, no crescimento dos populismos e da extrema-direita conservadora, cristalizante, será sempre por essa gente considerado doutrinário, na medida em que não admitem o debate, a reflexão, a discussão como um propósito artístico inerente à própria criação, olham para um objecto artístico como um produto fechado, propagandístico, reduzido a uma ideia de utilidade prática que não deve transpor as fronteiras do entretenimento. Foi sempre assim, temos os exemplos fornecidos pela História do século XX. A única forma de resistir a isto é unir forças no sentido de propor, através da diversidade – eu, por exemplo, sou consumidor de cultura de massas, já papei tudo o que é festivais de música neste país -, alternativas o mais abrangentes possível, estimulando o debate, a reflexão crítica, provocando até quando é necessário provocar, derrubando os muros que impedem a crítica. Sem essa energia transformadora vamos acabar comidos pelo “espectáculo” vazio, inofensivo, do mero entretenimento, esse sim verdadeiramente doutrinário da letargia legitimadora dos males que assolam o mundo. Sem estarem confinados pelo meio, os Mão Morta nunca deixaram de andar no interior do meio desbravando caminho para as margens. Honra lhes seja feita.

quinta-feira, 5 de março de 2026

NOTÍCIAS DA GUERRA

"As tropas norte-americanas foram informadas de que a guerra contra o Irão fazia "parte do plano divino de Deus", alega organização de defesa dos direitos humanos. Grupo de defesa da liberdade religiosa afirma que 200 soldados enviaram queixas de que os seus superiores usaram retórica cristã extremista para justificar a guerra."

Alguém fala sobre a teocracia norte-americana?

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À margem do direito internacional e sem qualquer justificação minimamente credível, duas das maiores potências militares do mundo unem-se na agressão a um país com raízes ancestrais. Ao pé do Irão, tanto Israel como os Estados Unidos são jovens imberbes. Para alguns comentadores que por aí proliferam como cogumelos tóxicos, o Irão tem um regime horrível que deve ser aniquilado. Não vale sequer a pena chamar a atenção para tantos outros regimes horríveis que não mereceram dos actuais agressores nenhuma atenção especial. Sucede que é no Irão que têm crescido de dia para dia as baixas dos extraordinários ataques de precisão dos aliados EUA e Israel. No Irão e no Líbano. Portanto, os maus são os que morrem, não são os que matam. Até ver, não sabemos de baixas heróicas nos lados de Israel e EUA. Devem estar a ser alvo de bombinhas de carnaval, os terríveis países que eles atacaram não têm feito vítimas. Ali e acolá, lá se noticia uma coluna de fumo. Mas nada de vidas humanas. Ainda bem que os maus deixaram de conseguir matar. O que seria de nós sem os bons que matam centenas de civis, crianças, velhos, mulheres, jovens, fazendo explodir bombas em escolas e hospitais? Ufa, que sossego para as nossas consciências.

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Vem no The Guardian: "Investigadores norte-americanos acreditam que o ataque à escola de raparigas iranianas foi provavelmente levado a cabo pelas forças norte-americanas. As autoridades militares norte-americanas informadas sobre a investigação fazem revelações, enquanto o Pentágono apenas confirmou que a investigação está em curso." Por cá, temos quem não só encontre maneira de justificar isto como de dizer que foram os iranianos a matar as suas próprias crianças. Nas televisões, criaturas como Helena Ferro de Gouveia usam a favor de Israel e dos EUA os mesmos argumentos que Putin usou para invadir a Ucrânia. Tudo o que na Ucrânia era inadmissível é agora compreensível.

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Se a ideia é salvar o povo iraniano de uma tirania desumana, quem salvará o mundo dessas tenebrosas figuras que dão pelos nomes Donald Trump e Benjamin Netanyahu?

quarta-feira, 4 de março de 2026

VEM NO DIÁRIO DE LEIRIA

" Cerca de 51 mil pessoas continuam sem comunicações em 33 concelhos. A situação afeta utilizadores de 33 concelhos (menos três do que em 23 de fevereiro), sendo que clientes da rede fixa afetados eram 40.398, enquanto da rede móvel 10.688." Portugal, 2026.

DESNÍVEL

 
«Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos, preside a reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a paz através da educação.» Chocados? Um passeio pelo caldeirão de opiniões nas TVs e uma pessoa conclui de imediato que o nível não é melhor, para não falar dos cus que acalentam a pele grená da Assembleia da República. Lá e cá, a mesma boçalidade, a mesma indigência, a mesma hipocrisia, o mesmo nível.

terça-feira, 3 de março de 2026

CRUSH

 
Quitéria não quer ser má-língua, mas está mesmo convencida de que há ali um crush de André Ventura pelo Pedro Passos Coelho. Desde que este rapou a cabeça, então, ficou ainda mais óbvio.

segunda-feira, 2 de março de 2026

ALMOCREVE

 
Grandes colunas de fumo em instalação petrolífera na Arábia Saudita. Base militar inglesa no Chipre atacada por drone suspeito. Aviões americanos despenham-se no Kuwait. Explosões abalam a Arábia Saudita, o Qatar, Emirado Árabes Unidos, Iraque, Bahrein, Omã, Jordânia e Kuwait. Israel ataca Líbano. Manifestações pró-Irão junto às embaixadas americanas no Paquistão e Iraque fazem várias vítimas. Embaixada dos EUA no Kuwait sob ameaça. Dois mortos e 14 feridos em tiroteio no Texas, FBI investiga possível "acto de terrorismo". Depois das depressões Cláudia, Davide, Harry, Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta, vem aí a depressão Regina. O Almocreve tem óptimo preço no Lidl. Sigam-me para mais dicas sobre mandar o mundo às favas.

domingo, 1 de março de 2026

OS BONS ASSASSINOS

 
Vem no The Guardian. Como é óbvio, o governo português não vai condenar: "As explosões abalaram a capital iraniana, Teerão, com imagens de satélite a mostrarem extensos danos no complexo residencial do líder supremo do país, o ayatollah Ali Khamenei, embora o seu paradeiro permaneça incerto. Dezenas de alunos terão sido mortos num ataque a uma escola primária no sudeste do país. A comunicação social iraniana reporta 201 mortos e 747 feridos." Se as crianças de Gaza e da Cisjordânia não interessam, que interesse poderão ter as do Irão face ao bom coração do nosso aliado Donald Trump? Obrigado Espanha, obrigado Irlanda, por não me fazerem sentir uma vergonha total e absoluta de ser europeu. Da de ser português já não me livro.

IRAQUE 2.0.

 
Depois da invasão do Iraque, em busca de armas nunca descobertas, e da Ucrânia, para supostamente acabar com viveiros neonazis, voltamos a ter um momento de nós contra eles, como se defender o direito internacional e, sei lá eu, as resoluções da ONU, fosse uma espécie de comprometimento com regimes totalitários, ditaduras, teocracias, tudo o que há de mau neste mundo, excluindo-se, claro está, o sionismo ou o imperialismo norte-americano (este é aliado, os outros são maus). Pois bem, a defesa intransigente do direito internacional, ido pelo esgoto em Gaza, rasgado na Venezuela com o rapto de Maduro, enterrado agora no Irão, não compromete ninguém senão com a defesa da lei. Até o facínora Putin teve cuidados na Ucrânia que os facínoras Trump e Netanyahu não têm tido, porque ninguém lhos exige. Os meus desejos mais profundos são que todos esses facínoras impludam, sejam eles eleitos, nomeados, ayatollahs ou papas da puta que os pariu. Não sendo possível a satisfação dos nossos desejos mais profundos, não me resta senão, enquanto humilde cidadão de uma Europa de cu para o ar, defender o direito internacional, mesmo que isso implique a conservação de regimes execráveis num poder que só a força e organização populares têm legitimidade para derrubar. Dito isto, preparemo-nos para o que o Iraque nos ofereceu: a disseminação de mais terror.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

BONS EXEMPLOS

 
Colonizar é feio. Matar é feio. Raptar é feio. Destruir é feio. Atentar contra a soberania dos estados é feio. Ora, se os EUA e Israel podem fazer estas coisas feias, porque não hão-de poder os outros também? Quando falarmos de política internacional lembremo-nos dos colonatos na Cisjordânia, do assassinato de líderes políticos e civis indefesos, do rapto de Maduro na Venezuela, da política de terra queimada em Gaza... Se os EUA podem, porque não há-de poder a China? Se Israel pode, porque não há-de poder a Federação Russa?

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

SE NÃO ESPALMAR, FICA SOLTO

 


MARTÍRIO DE SANTA ÚRSULA

A flecha foi feita para atingir de longe e a faca, de perto. Levar mais longe a flecha foi inventar as balas minúsculas que saem das espingardas. Talvez um dia a bala vá tão longe e tão rápida que eu possa matar pelas costas quem me quer matar pelas costas. Mas no quadro de Caravaggio o rei dos Hunos acabou agora mesmo de atingir o coração de Santa Úrsula com uma flecha disparada à distância de uma facada. É tão extraordinário que me aproximo para ver mais de perto e o alarme do museu começa a tocar porque atravessei com o nariz a linha proibida de ultrapassar desenhada no chão. E algumas balas de Auguste Blanqui ainda voam desde que foram disparadas, como ele proclamou em Julho de 1830, dando voltas ao mundo até que tenham atingido todos os inimigos da justiça e da felicidade, mas, oh miséria, quase sempre acertando em inocentes.

Miguel Castro Caldas, in Se Não Espalmar, Fica Solto, Edições Tinta-da-china, Maio de 2025, p. 248. Peças de teatro, textos ensaísticos e pérolas como esta compõem um volume que é mais do que uma antologia, é um corpo coeso composto por diferentes géneros ligados pela prática teatral. Como num colectivo em que cada um, feito da sua singularidade, contribui para um desenlace. Belo livro.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

NO MEU TEMPO

 
Massacre de Tiananmen, invasão do Kuwait, guerras da Bósnia, Tchetchénia, genocídio no Ruanda, guerra do Kosovo, ataque às Torres Gémeas, guerra no Afeganistão, invasão do Iraque, ISIS, Darfur, no Sudão, guerra civil da Síria, Primavera Árabe, guerra civil Iemenita, invasão da Ucrânia, Gaza, Irão...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

MUSEUS DE OSSOS

 

Vem no Expresso. A fotografia é excelente, a legenda é óptima. E eu fico cheio de ideias. Por exemplo, roubar ossos para os traficar como se fossem um Van Gogh. Ou abrir um museu de ossadas. Ou, numa acção pelo clima, soltar uma matilha de cães esfomeados sobre os ossos. Ou levar alunos de artes em visita de estudo, largar "conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos..." sobre o chão e dizer: "vá, agora copiem".

REUNIÃO DE TRABALHO

 
o vazio do nada
a nado no vazio
quase pífio
nem isso
apenas oco
um ermo
cheio de oco
antes fosse choco
um ermoco
no choco
uma pavão depenado
uma pena
podia dizer frívolo
podia dizer fútil
nem isso
um deserto
as poeiras do deserto
depois das chuvas
dos tremores
dos diques
uma ventania
e eu pelos ares
no dia seguinte
à procura de mim próprio
sem me encontrar
antes um soco
e era pouco

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

DÚVIDAS

 
Pode o eu desdobrar-se em diversas identidades sem deixar de ser eu? Quando estás fora não estás dentro? E se o observador estiver a ser observado? Como posso eu ver-me a partir do lugar do outro? Se representar para um espelho o meu reflexo é público? Pode a plateia ser a superfície de um espelho? O que quis dizer quando disse: o tempo não passa por si? Ao longo de trinta anos a professora deu sempre aulas a adolescentes de 15. O tempo não passou pelas sucessivas turmas de alunos. Terá passado pela professora? Um actor diz: estou aqui. Onde é o aqui do actor? O autor diz: vou pô-lo ali? Este ali é concebível, mas será alcançável? Uma pessoa desloca-se no espaço deslocando-se no tempo? Uma pessoa desloca-se no tempo deslocando-se no espaço? Agora já foi, o agora está sempre a ir. Para onde foi o agora? Conseguimos apanhar o agora?

TUDO É MUITA COISA

 
Rui Costa sobre Prestianni: "Posso garantir que ele é tudo menos racista." Já Quitéria garante que um dos maiores problemas da humanidade é as pessoas não se darem conta dos disparates que dizem.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

ADIANTE

 
Há umas décadas, chateavam-me os reencontros com os comparsas da adolescência por iniciarem as conversas, quase invariavelmente, por um «lembras-te quando estivemos?» Agora, enfadam-me os convívios com gente que já esteve, que também já foi, que já fez. Quanto mais o tempo passa, mais anseio por pessoas com os olhos no futuro. O passado interessa-me, mas para sopesá-lo em solidão. Com os outros prefiro vistas largas, horizontes, adiantes.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

AS AVENTURAS PERDIDAS

 

Estes gestos dantes eram mais frequentes, correspondiam a uma espécie de reconhecimento entre pares cujo principal valor se caracterizava, creio, pelo desinteresse absoluto da distinção. Não conheço o Pedro Correia, como nunca conheci a maioria dos pastores de weblogs com quem fui ou venho interagindo vai fazer 23 anos. Migrados para redes sociais menos insulares e mais ruidosas, os “blogonautas”, para citar o Pedro, metamorfosearam-se com o tempo em perfis, produtores de conteúdos, selfie brothers (ocorreu-me esta agora). Continuo fiel ao weblog, é uma ferramenta de trabalho, para dizer a verdade, um laboratório diário de que não prescindirei enquanto for à borla. É também um arquivo onde vou reencontrando, por via de visitas em massa provocadas por ligações algures situadas, poemas como este Árbol de Diana que verti para português em 2011 e teve na última semana centenas de visualizações:

23

uma olhadela a partir do esgoto
pode ser uma visão do mundo

a revolução consiste em olhar uma rosa
até que os olhos sejam pulverizados

37

para lá de qualquer zona proibida
há um espelho para a nossa triste transparência


Alejandra Pizarnik, in Las Aventuras Perdidas (1958)
Versão de HMBF