No tempo de Camões também havia Chagas Freitas. Porque
falamos de Camões e não falamos dos Chagas Freitas do tempo de Camões? Porque
Camões não andou aos pulos, não é pastilha elástica, nada de mastigar e deitar
fora, é coisa que perdura no tempo, faz pensar quem pensa, não se fica pelo
entretenimento, pelo espectáculo, essa coisa que para gáudio de deslumbrados é
geradora de multidões. Não se queixem do povo quando passam a vida a dar-lhe
fogos-de-artifício, não se queixem do país quando pagam chic-nics, isentam de
impostos rocks in rios e levam tonys a São Bento. Nivelando por baixo, não se
admirem, pois claro, da baixaria, da mediocridade, do populismo estéril. Se é
isso que patrocinam, pois que isso vos seja devolvido. Que ninguém passe
incólume por preferir fast-food, morram todos obesos com os corações a explodir
confettis de alegria. Agora não me fodam é o juízo quando o cancro vos aparecer
nas análises, foram vocês que deram de comer ao cancro, alimentaram o cancro.
Ele que vos coma.
antologia do esquecimento
segunda-feira, 11 de maio de 2026
sábado, 9 de maio de 2026
CASTELOS DE AREIA
No país dos egos crepitantes reinava a arte dos castelos
de areia. Raramente o núcleo da inteligência coincidia com o centro das
atenções, pelo que era à margem da autocelebrarão que o autoclismo cumpria o
seu papel. Nada de meio, tudo à margem, como o caminhante na direcção da foz ou
o pescador à espera que o peixe morda o isco. Repletas de seres zangados com o
mundo mas deveras satisfeitos consigo mesmos, as galerias enchiam-se nas verni
e finissages sem sageza digna de nota, a despeito de baratas tontas e pataratas
de mão dada com a vanguarda dos novelos de Ariadne, cerzideira de corredores
palacianos e cozinhas com cheiro a mofo. Havia um mestre de cerimónias, há
sempre, mas não tinha discípulos, entretinha-se e entredava-se apregoando ao
espaço sideral casas cheias de pulgas aos saltos para satisfação das
bilheteiras. Neste espectacular mundo, o cunnilingus e a felação haviam sido
substituídos pelas práticas onanistas dos lambedores de bilheteira (selos
tinham caído em desuso, tal como os seios e respectivos sutiãs). Ainda havia
crianças, adultas na idade e no percentil peso/altura, mas desprovidas de senso
tanto quanto altamente providas de curvaturas, as da servidão sim senhor. Ser
vidão, ora aí está uma espécie altamente prolixa nesses tempos de egos aos
saltos como pitos em êxtase. O vidão andava por todo o lado, tal a raça de
javali que hoje facilmente se encontra a focinhar lixo urbano. Antes fôssemos
vidões, dizia de si para si o mestre de cerimónias enquanto numa intervenção
pública impreparada citava O'Neill: fossemos o cherne. Isto não é um sonho,
também não é um pesadelo, muito menos uma coisa em forma de assim, é a mais
purgatória das idades reais.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
TEATRO POBRE
Por mais que o teatro disponha de meios materiais e por mais que explore os seus recursos mecânicos, continuará tecnologicamente inferior ao cinema e à televisão. Por conseguinte, prefiro a pobreza do teatro. Contentamo-nos com o esquema palco/auditório: em cada espectáculo, designam-se os espaços para actores e espectadores. Logo, torna-se possível variar infinitamente a relação actor/espectador. Os actores podem representar entre os espectadores, contactando directamente com o público, a quem outorgam um papel passivo no drama (...). Ou então, construir estruturas entre os espectadores, incluindo-os na arquitectura da acção, sujeitando-os a uma espécie de pressão, a uma amontoação, a uma limitação do espaço (...). Os espectadores podem estar separados dos actores - por uma cerca alta, por exemplo, acima da qual aparecem apenas as suas cabeças (...). Pode, também, utilizar-se todo o recinto como um local concreto (...). A eliminação da dicotomia palco/plateia não é o mais importante - cria simplesmente uma área adequada de investigação. O essencial reside em encontrar a relação espectador/actor adequada a cada tipo de espectáculo, enformando a decisão em elementos físicos.
Jerzy Grotowski, in Para Um Teatro Pobre, tradução de Rosa Macedo e J. A. Osório Mateus, forja, Agosto de 1975, pp. 17-18.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
DONA PATARATA
Metade pata, metade rata,
a Dona Patarata deslocou-se à Gulbenkian com a intenção de participar nesse
grandioso evento cultural que é a exposição Arte & Moda. Como a bicha dava
a volta à Praça de Espanha e na parte que é pata ela já não podia com as
pernas, arriscou o Centro de Arte Moderna logo ali ao lado. Viu uma casa do
avesso, interiores de cartolina e lembrou-se da história da noz que queria dar
nas vistas, a que ganhou asas no miradouro mágico. A noz era agora uma
noz-moscada com visão de 360 graus, manobras evasivas e um zumbido que vibrava
por todo o lado. O compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovski dedicou-lhe o
ballet "O Quebra-Noz-Moscada", com uma música muito semelhante à
"Cavalgada das Valquírias" de Richard Wagner. Na verdade, era um
ballet para valquírias dançantes montadas em cavalos mecânicos. Tudo muito
moderno. Poetas dedicaram-lhe poemas, pintores fizeram-lhe o retrato e até o
povo começou a dizer "eu só queria ser noz-moscada para" em vez de
"eu só queria ser mosca para". Como todas as histórias, também esta
não correu bem. Ficou estática, imóvel, nada de correrias. Parecia uma piscina
de cacos no CAM. A noz apodreceu por dentro, perdeu as asas, um
tubarão-martelo-panã desfê-la em pedaços com uma cabeçada e um esquilo que ia a
passar só não a comeu por não apreciar moscas na sopa. Continuou Dona Patarata
a sua visita, de sala para sala, atravessando corredores, sempre muito atenta
não fosse confundir extintores com peças conceptuais sobre a imersão no
apocalipse. A dado momento, reparou numa obra que se repetia de núcleo para
núcleo com ligeiras nuances. Eram figuras humanas maioritariamente femininas,
vestidas com polos azuis, expostas em ângulos estratégicos, que meneavam a
cabeça lentamente da esquerda para a direita e da direita para a esquerda. O
hiper-realismo das peças impressionava mais do que a história da noz-moscada,
pelo que Dona Patarata aproximou-se para perscrutar de perto uma daquelas
esculturas. Quem seria o autor de tão intrigante conjunto? Ao aproximar-se, ficou
frente a frente com a escultura, inclinou-se para observar melhor o olhar tão
realista, quase tocou com o nariz de rata na ponta do nariz da obra, ali
estavam ambas, a Dona Patarata e a obra imóvel, olhos nos olhos, nariz no nariz,
testa na testa. Qual não foi o espanto, quando ouviu a obra perguntar?
"Posso ajudar?" Dona Patarata deu um passo atrás, recuou, era
impressionante, as peças interagiam. E parecia que respiravam. Deslocou-se na
direcção de sala contígua, voltou a aproximar-se de outro exemplar das
esculturas humanas de polo azul. Agora estendeu o braço, apalpou uma mecha de
cabelo e... mais uma vez a mesma pergunta: "posso ajudar?" Dona
Patarata estava impressionada, pelo que começou a testar as peças beliscando-as.
Já não ouvia apenas um solícito "posso ajudar?", as peças pareciam
reclamar afastando o visitante com os braços e repetindo com insistência
"ó minha senhora, ó minha senhora". Inadvertidamente, Dona Patarata
era uma performance entre desenhos, pinturas, fotografias, vídeos, esculturas,
instalações, até um segurança se aproximar ordenando a interrupção da
brincadeira, caso contrário teria de encaminhar a estimada visitante até à
saída. Dona Patarata não entendeu, estava confusa com aquela ausência de parcimónia,
uma indelicadeza inaceitável, talvez não fosse suposto interagir com as obras,
pelo que se desculpou ao antipático segurança: "Peço desculpa, como não vi
indicação em contrário julguei que podia mexer. E confesso o meu entusiasmo ao
verificar a interacção das peças." "Quais peças?", indagou o
segurança. "Estas todas de azul", respondeu Dona Patarata, ao que o
segurança soltou um sorriso meio perplexo, meio desconfiado, esclarecendo que
não se tratava de nenhum conjunto de peças de nenhum dos artistas em exposição.
Eram assistentes de sala, pessoas cujo trabalho consistia em estarem ali o dia
inteiro, paradas, a observar os visitantes que observavam as peças. Dona
Patarata ficou deveras decepcionada, sentiu-se até um pouco defraudada, a
colecção interminável era mais do mesmo.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
UM POEMA DE FÉLIX FRANCISCO CASANOVA
DE TUDO FAZ UM SEGREDO, GOTA
a gota o meu sangue gela
na noite, a água cai
silenciando cópulas
de flores, os pássaros espezinham
os pântanos:
a beleza perdura no lodo.
O vento gelado do mar,
as folhas geladas do rio,
até a mais pura lava
logo lixo gelado
e o que sei eu dos corações...
(01-1974)
Félix Francisco Casanova, in A Beleza Perdura no Lodo - Antologia Poética, selecção de Francisco Javier Irazoki, tradução de Ana Catarina M. Martins, Medula, Abril de 2026, p. 37.
terça-feira, 5 de maio de 2026
DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA
Desarrezoado amor, dentro em meu peito,
tem guerra com a razão. Amor, que jaz
i já de muitos dias, manda e faz
tudo o que quer, a torto e a direito.
tudo soberba força; faz, desfaz,
sem respeito nenhum; e quando em paz
cuidais que sois, então tudo é desfeito.
espia ocasiões de tarde em tarde,
que ajunta o tempo; enfim vem o seu dia:
Amor; trata treições, que não confia
nem dos seus. Que farei quando tudo arde?
Tem guerra desigual; amor que jaz
E, já de muito tempo manda e faz
Tudo o que quer, a torto e a direito.
Tudo soberba e força, faz, desfaz,
Sem respeito nenhum; nunca está em paz,
Quando cuidais que sim, tudo é desfeito.
Aqueles quando os traz de tarde em tarde,
Força de sem-rezões e milhor dia.
Então trata traições nesta agonia,
Triste que farei eu, quando tudo arde!
segunda-feira, 4 de maio de 2026
PEDRAS SOBRE PEDRAS
Por vezes um cansaço tão cansado de tudo isto
obriga-me a descobrir pulmões entre destroços
e então farejo e esgaravato tal um cão
no encalço de ossos ociosos
Mergulho a fundo no fosso do meu corpo
desesperado de sossego e de silêncio
mas só encontro pedras sobre pedras
e uma vontade cinzenta de céus mudos
domingo, 3 de maio de 2026
DÚVIDA
Quando olhas à tua volta e o único consolo é teres a certeza
de que, mais tarde ou mais cedo, tudo acabará, então o que resta?
sábado, 2 de maio de 2026
EQUAÇÃO
Dividir para reinar
castelos de areia
castelos de areia
Multiplicar pães
para comer o que
o diabo amassou
Somar derrotas
se o mar conquistas
Subtrair traições
Fidelizar amarguras
sexta-feira, 1 de maio de 2026
FLDC
Quitéria está decidida a organizar nas Caldas da Rainha o
Festival Literário do Caralho. Já contactou possíveis parceiros, pelo que a
coisa será para avançar. A Control gostou da ideia, sugerindo que a tenda
principal, na forma de um preservativo gigante, tivesse o seu patrocínio.
Dentro do preservativo, moderadoras e moderadores giros vão-se despedindo à
medida que fizerem perguntas (como os pivots que se desnudam a apresentar
notícias). A bem do progresso, Quitéria não faz questão que as e os escritores
convidados se dispam literalmente, embora devam despir-se de preconceitos e
participar nas orgias de palavras, nos debates a três, nas book caques, etc.
Haverá tables dances redondas para discussão dos mais variados ass untos, e
varões para romancistas experimentais, assim como lutas na lama com poetas. Tem
tudo para correr bem.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
FADO MIADO
Esta noite sonhei que era um gato cheio de fome, tinha
tanta fome que perdi o medo da água e mergulhei no mar para caçar um peixe.
Acontece que em vez de caçar fui caçado, ou seja, eu-gato fui comido por um
peixe. Passei a ser um peixe-gato escondido com rabo de fora que miava a cada
vez que abria a boca. A minha respiração era agora um miado, mas um miado muito
especial que não se ouvia no mundo do silêncio. Eu ouvia-me miar, mas mais
ninguém me ouvia. Então, enquanto percorria os sete mares e outros tantos
oceanos, com o rabo a dar a dar e um miado inaudível, acabei por ser pescado,
imagine-se, pela Gisela João, que estava sentada à beira de um rio a pescar
peixe fado, um género de peixe de que nunca ouvi falar mas que, no meu sonho,
era muito saboroso. Depois de morder o anzol e de ser sacado da água pela
Gisela, fui parar a um balde. Ela não notou logo no meu rabo peludo em vez da
cauda escamosa, mas quando comecei a miar e fui finalmente ouvido a Gisela João
espantou-se verdadeiramente. Olhou incrédula para dentro do balde, pegou em mim
com imensa ternura, as lágrimas vieram-lhe ao rosto, apertou-me contra o seu
peito, produzindo sensações oníricas deveras agradáveis, e adoptou-me como a um
gatinho de estimação. Só que eu era um peixe, apesar de também ser um gato,
pelo que a fadista transportava-me dentro de uma mala-aquário transparente que,
de quando em vez, abria para se ouvir o meu miado como quem escuta um fado.
Assim nasceu um novo género de fado, o fado miado, de que a Gisela João era a
mais digna representante, ganhando prémios Play, Grammys e cenas assim. Acordei
ao colo da Gisela, embalado por um fado miado que dizia: "Outrora fui um
gato comido por um peixe, agora mio um fado a caminho de Odeceixe".
quarta-feira, 29 de abril de 2026
NOTÍCIAS DE FACEBOOK
Há dias, o Carlos perguntava: "Alguém daqui já leu algum livro do «autor mais influente da literatura em Portugal»?" Fiquei a pensar quem seria o autor, mas tendo a pergunta origem numa declaração do Osório pensei o pior. Fico agora a saber, através do Pedro, que o autor mais influente da literatura em Portugal, segundo o Osório dos parágrafos infecção urinária, é um tal de Couceiro. Nunca li, nem creio que alguma vez vá ler, mas sei que editou o "Sentir" da Cristina Ferreira numa editora com o mesmo nome de uma que, em tempos idos, publicou Cesariny, Herberto, etc. A do Pacheco. Está tudo certo, para mim está tudo certo. E agora vou ali comer caracóis, o prato mais influente da gastronomia portuguesa.
terça-feira, 28 de abril de 2026
DR. VENTOINHA E O BICHO COVILHÃO
O Dr. Ventoinha detestava bichos de sete cabeças, pelo que adoptou um com três. O bicho Covilhão só lhe trazia vantagens. Apesar das três cabeças, e ainda que não pensassem exactamente da mesma maneira, isto é, que não fizessem clara e inequivocamente as mesmas leituras sobre o mesmo objecto de análise, estavam sempre de acordo umas com as outras, mormente com a do Dr. Ventoinha. Se uma dizia mata, a outra dizia esfola, ao que a terceira sublinhava arrasa. Se esta dizia fantástico, aquela acrescentava magnífico e a terceira rematava genial. Cada cabeça tinha um género, as das pontas masculino e feminino, a do meio era trans. Também esta característica particular do bicho de estimação agradava deveras ao Dr. Ventoinha, que podia passar a mão por cada cabeça conforme os apetites lho ordenavam. O Dr. Ventoinha era de apetites diversos, distintos, aleatórios, contingentes, expelia o ar em múltiplas direcções, a sua cabeça rodava da esquerda para a direita e da direita para a esquerda enquanto predicava sobre os males do mundo e os vícios dos outros, sempre satisfeitíssimo consigo mesmo e com as virtudes que o bicho Covilhão não lhe negava, antes anuía reforçando de uma ponta à outra: de facto, sem dúvida, precisamente. O Dr. Ventoinha adorava o seu bicho de estimação. Tinha o Dr. Ventoinha, no entanto, esta singularidade de espalhar brasas por onde andava, como quem semeia perdigotos enquanto fala, predica, prelecta, se bem que não fossem brasas o que ele espalhava, eram mesmo excrementos que o seu bicho de estimação evacuava depois de haver ingerido uma fartura de teses e de teorias do Dr. Ventoinha. O bicho Covilhão alimentava-se desses teoremas, dessas estratégias, dos ardis, das tácticas que o penetravam pelas seis orelhas e três bocas, faziam o percurso normal do sistema digestivo e eram expelidas sob a forma de gás ou outra matéria mais consistente cuja potência ventiladora do Dr. Ventoinha se encarregava posteriormente de disseminar. Nada disto era com ele, e, de facto, sem dúvida, precisamente não era com ele. O incólume Dr. Ventoinha simplesmente soprava, era da sua natural condição soprar, o que se lhe punha à frente do sopro não era da sua responsabilidade. Nunca é. Ninguém pode acusar o vento de trovar desgraças, pois isso seria condenar o mensageiro pela notícia que transporta. E o Dr. Ventoinha era apenas um mensageiro, e o seu bicho Covilhão era apenas um animal de estimação com três cabeças. E esta história tem de terminar aqui, não vá aparecer por aí o Dr. Ventoinha com o bicho Covilhão pela trela.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
RALAÇÕES HUMANAS
Quando as relações humanas são maioritariamente definidas por conveniências de circunstância, num cartar e descartar à medida de interesses e de ambições pessoais, ninguém está verdadeiramente legitimado a criticar governantes que actuem da mesma maneira. A vaidade que corrói a maioria dos homens, calcando o mínimo de discernimento oferecido pela humildade, comanda opções estratégicas despudoradamente, como se vê na distribuição de cargos um pouco por todo o lado. Nada disto deve afectar-nos particularmente, sobretudo se não tivermos sido assaltados pelas ânsias do sucesso. “Murphy”, o primeiro romance de Beckett, foi várias vezes rejeitado, acabando por conhecer uma primeira edição de 1500 exemplares na sua maioria destruídos por bombardeamentos durante a guerra. Era o que se dizia à época, para não ter de se reconhecer que entre 1938 e 1942 foi vendida metade da primeira edição. 782 cópias desapareceram misteriosamente. Da edição francesa fizeram-se 3000 cópias, de que se venderam apenas 95 exemplares. Outra história maravilhosa é a da primeira edição de “Uma semana nos Rios Concord e Merrimack”, de Henry David Thoreau. Fizeram-se mil cópias de que se venderam 200 em quatro anos. As sobras terão sido oferecidas ao autor, que dizia ter ficado com uma das maiores bibliotecas do país. Composta, na sua maioria, por um único livro. O dele. Vem isto a propósito de relações humanas, que são como os livros: as melhores resistem ao fracasso e é com ele que se revigoram.
domingo, 26 de abril de 2026
DOS AFUNDANÇOS SENSUAIS
Não deixa de ser impressionante a agilidade, a eficácia, a ligeireza, elegância e coordenação motora, aquele pragmatismo que só pode vir da prática, enfim o desembaraço de Melania Trump a ajoelhar-se debaixo da mesa.
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