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domingo, 21 de junho de 2026

GENEBRA

 
Alguém sabe como está a vida em Genebra? Já recuperaram das escolas destruídas, dos hospitais em ruínas, das zonas habitacionais em cinzas? E dos jornalistas assassinados, dos médicos executados, das crianças, dos velhos, das mulheres e dos doentes exterminados? Alguém pode dizer se Genebra ainda existe? Estou preocupado, os extremistas da extrema-esquerda andavam a destruir aquilo tudo. Terá sobrado alguma coisa? Não deviam a RTP, a SIC, a TVI, a CNN, a CMTV, o Now agendar uma entrevista exclusiva com André Ventura para nos esclarecerem sobre o massacre em Genebra?

terça-feira, 16 de junho de 2026

LIXO EM CHAMAS

 
Tanto comentador indignado com caixotes do lixo e carros a arder em Genebra, tantos jornalistas a encher a boca com grupos de jovens radicais de extrema-esquerda, horas e mais horas em directo diabolizador. Na Irlanda do Norte prossegue o pogrom, Gaza são cinzas, o Líbano foi invadido, na América continua o mundial da vergonha... O ICE pode perseguir, torturar e matar, Netanyahu pode exterminar, nas televisões os cúmplices do genocídio têm antena sem contraditório, queimar carros e baldes do lixo é que não pode ser, que horror. Vendam já a RTP ao Ventura, vendam-lhes o mundo inteiro, será o paraíso na Terra.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

INFANTINO

 


Gianni Infantino é, por estes dias, o rosto da mais ignóbil venalidade que assaltou o mundo. Depois do gesto bajulador com prémios da paz a cheirar a tumefação, aí o temos diariamente a pôr água na fervura, a usar paninhos quentes, a oferecer a sua cara de pau careca a uma organização que é a antítese do espírito desportivo. Mas não nos iludamos, a uma escala micro este mundo está repleto de infantinos cujo propósito único e final é apenas e tão-só ficar bem na fotografia ao lado de quem lhes possa ser útil às ambiçõezinhas mais fúteis. Sem o mínimo escrúpulo daquilo a que podemos chamar ética social, o que move esta gente é a vaidade, o egoísmo, enfim, a vanitas. E o povo vai atrás como n’A Parábola dos Cegos, de Bruegel, o Velho, a fazer bicha no beija-mão que sempre entusiasma as hostes e sintonizando o canal na selecção porque, enfim, as violações anais do CR7 serão sempre mais entusiasmantes do que o extermínio em Gaza. Depois é ouvi-los queixarem-se de berardos e espíritos santos a quem só não beijaram o cu se não puderam, pois a culpa é da justiça portuguesa, dos ciganos e dos comunistas.

domingo, 24 de maio de 2026

GENTRIFICAÇÃO

 

Escreve João Vieira Pereira, no Expresso:

"A gentrificação não só arrasou bairros inteiros como está a mudar cidades e até regiões. O centro de Lisboa é hoje disputado entre o turista e o residente milionário. O mesmo se passa na linha de Cascais. A poucos minutos para norte, a Ericeira tornou-se um dormitório de jovens estrangeiros a viverem o sonho de serem nómadas digitais. Troia e Comporta estão a transformar-se em guetos para milionários que acham que ganharam o direito de escorraçar todos os outros que não partilham o mesmo gestor de fortunas. Os condomínios privados, com preços em que apenas um lote de terreno chega aos vários milhões de euros, são recebidos com orgulho pelo português, pacóvio e deslumbrado, mas que nunca terá dinheiro para lá entrar. O mesmo que não percebe que a abertura de escolas internacionais com mensalidades de vários milhares de euros é apenas uma resposta de uma elite predisposta a sugar a qualidade de vida que encontraram e que nessa senda procuram transformar-nos no espelho do país que deixaram para trás. Esta invasão milionária está a descaracterizar Portugal a uma velocidade vertiginosa."

Um país a saque, cada vez mais desigual, entretido com feiras, festas e festivais, fátimas, futebóis e fados, um país que é cada vez mais aquela imagem de um homem a afundar-se num pântano que Manoel de Oliveira nos legou: a mão, a mão, suplicava o desgraçado, enquanto à volta dele os miseráveis bulhavam sem conseguirem organizar-se. Na AR, horas infindáveis de questiúnculas sem sentido, burcas, notas de pesar e palermices entretêm o pagode. E o país é isto, esta boçalidade, esta indigência, tudo rendido ao negócio, ao lucro, à sala cheia a qualquer preço. Mas fiquem descansados: não há qualquer proibição de colocar os chapéus à frente das zonas concessionadas nas praias. Que alívio.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

FOGO DE ARTIFÍCIO

 
Entre os investimentos estruturais que nunca carecem de fundos neste país à beira-mar plantado temos o fogo de artifício. Pode não haver dinheiro para ajudar quem precisa, para fazer face às intempéries, para a cultura, para melhorar escolas, pagar a cantoneiros, etc., mas que nunca nos falte o fogo de artifício. Seja no Ano Novo ou no ano velho, queimem-se os euros na pólvora que nos ilumina e no ruído que nos ensurdece.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

DIA DA CIDADE

 
Amanhã é dia da cidade. Por certo haverá fogo-de-artifício, para alegria dos homens e desespero dos animais, assim como música pimba, para alegria dos animais e desespero dos homens.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

NOTÍCIAS DE FACEBOOK

 
Há dias, o Carlos perguntava: "Alguém daqui já leu algum livro do «autor mais influente da literatura em Portugal»?" Fiquei a pensar quem seria o autor, mas tendo a pergunta origem numa declaração do Osório pensei o pior. Fico agora a saber, através do Pedro, que o autor mais influente da literatura em Portugal, segundo o Osório dos parágrafos infecção urinária, é um tal de Couceiro. Nunca li, nem creio que alguma vez vá ler, mas sei que editou o "Sentir" da Cristina Ferreira numa editora com o mesmo nome de uma que, em tempos idos, publicou Cesariny, Herberto, etc. A do Pacheco. Está tudo certo, para mim está tudo certo. E agora vou ali comer caracóis, o prato mais influente da gastronomia portuguesa.

domingo, 26 de abril de 2026

DOS AFUNDANÇOS SENSUAIS

 
Não deixa de ser impressionante a agilidade, a eficácia, a ligeireza, elegância e coordenação motora, aquele pragmatismo que só pode vir da prática, enfim o desembaraço de Melania Trump a ajoelhar-se debaixo da mesa.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

APOSTAS

 
O mundo transformado num casino, com políticos a actuar como jogadores de poker exímios no bluff. Revela o The New York Times que o filho mais novo de Trump tem ligações aos dois maiores "prediction markets" (mercados de profecias), o Polymarket e o seu concorrente, o Kalshi: «É consultor remunerado do Kalshi. E a 1789 Capital [grande nome!], uma empresa de capital de risco da qual Donald Trump Jr. é sócio, investiu no Polymarket. Trump é também consultor não remunerado da empresa.» O que são estas empresas de oráculos? São, basicamente, casas de apostas que permitem aos jogadores apostar numa vasta gama de eventos futuros. Vão os EUA transformar Gaza num resort de luxo? E o povo aposta com a mesma excitação de quem se entrega às raspadinhas, mas ganha quem estiver na posse de informações sobre o futuro. Quem são os Tirésias da actualidade? Por exemplo: «um soldado das forças especiais do Exército dos EUA envolvido na captura do presidente Nicolás Maduro da Venezuela foi acusado de usar informações confidenciais para apostar em eventos relacionados com a missão.» Nestes sites de apostas tanto se pode apostar em quanto tempo o primeiro-ministro britânico Keir Starmer se aguentará no cargo como em quantas mensagens Elon Musk enviará nas redes sociais no próximo mês ou qual será a temperatura em Paris num determinado dia. Resultado: «Antes de grandes acontecimentos, como o ataque americano-israelita ao Irão ou os Óscares, um grande número de apostas surgiu nos mercados de previsão, a maioria delas a prever correctamente o que estava prestes a acontecer. Talvez estas pessoas tivessem sorte ou fossem extremamente perspicazes. Mas também surgiu a suspeita de que poderiam ter tido informações privilegiadas e usá-las nas suas apostas — tal como alguns investidores podem usar informações privilegiadas para ganhar dinheiro ilegalmente no mercado bolsista. Uma análise do New York Times baseada em dados da Polymarket mostrou centenas de apostas num único dia de Junho passado a prever que os Estados Unidos atacariam o Irão. O Times descobriu que tais apostas eram bastante incomuns até então.» Estão a ver a coisa? Chama-se economia de casino, os cidadãos são jogadores. Para quê leis laborais se podemos ganhar a vida a apostar na aprovação do pacote? Diz a ainda o TNYT que, em 2003, «o Pentágono planeou um mercado online no qual os apostadores poderiam prever ataques terroristas, assassinatos e outros acontecimentos políticos de grande impacto, na esperança de obter dados úteis. O plano gerou protestos por parte dos legisladores que consideraram macabro a ideia de as pessoas lucrarem com acontecimentos terríveis, e foi rapidamente descartado.» Foi há 23 anos. Já não é. O que há duas décadas era do domínio da ficção científica e das mais improváveis distopias, faz hoje parte do nosso quotidiano. É neste mundo que estamos a viver, o da lógica do bluff.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A/C DOS JORNALISTAS PORTUGUESES

André Ventura já acordou e lavou os dentes, está na hora de uma entrevista exclusiva, uma reportagem, um directo: dormiu bem? sonhou? teve pesadelos? a sua senhora teve um soninho descansado? que pasta dentífrica usou? que tipo de escova de dentes usa, manual, eléctrica, interdental, ortodôntica? deu algum pum durante a noite? Portugal precisa de saber, é dever dos jornalistas informar, o povo merece.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

CRISTINAS

 
Há anos, vi-me envolvido numa polémica de lana-caprina por ter declarado ódio à Dona Cristina. Dizia, e repito, que representa tudo o que mais odeio no mundo, a saber o culto da estupidez que tanto leva à veneração de ídolos de pechisbeque como à reverência a líderes alarves. Vide Trump e seu séquito de imbecis. O histerismo da Dona Cristina deu-lhe popularidade num país de histéricos, de que os pulos do Baião com o macaco foram precursores e as parolices do Goucha fizeram escola. A programação matinal das televisões é uma panela em que se confecciona todo o tipo de imbecilidades, as quais entram pela tarde e se instalam nas casas dos segredos e big brothers. É assim há anos porque o nível desceu, a fasquia ficou tão baixa que só importa a audiência, a sala cheia. E os senhores políticos, sem excepção, aproveitam o embalo aceitando convite para a conversa fiada em período eleitoral. Isto é o que temos um pouco por todo o país, a televisão contamina e retrata o resto, esta indigente rendição aos formatos do sucesso, os quais, para nossa desgraça, revelam sempre valores negativos no termómetro da inteligência. Fizeram da Dona Cristina uma estrela ao ombro da qual adoram pousar para a fotografia, indiferentes às alarvices que a senhora profira e as suzanas garcias de serviço corroborem. Não se admirem, depois, da teia em que foram apanhados, ela aí está com trumps, chegas e afins. Se julgam que isto não está tudo ligado, desenganem-se. Sempre que somos complacentes com a merda, o mais certo é acabarmos cagados.

terça-feira, 14 de abril de 2026

ERÍSTICA

Há mais de dois mil anos, um senhor chamado Aristóteles dedicou alguma atenção aos paralogismos, ou seja, argumentos que parecem sê-lo, por oposição aos silogismos. Pretendia ele refutar os sofistas que negociavam uma sabedoria aparente preferindo parecer sábios a sê-lo de facto. Enumerou argumentos, dividindo-os segundo a espécie, desmontou os propósitos de quem polemiza, denunciou falácias, "erros que acompanham a opinião fundada na percepção", enfim, as tretas dos sofistas. Assim mesmo, tretas. Isto foi antes de a sociedade do espectáculo impor as suas regras, as quais já nada têm que ver com a busca da verdade. Parte integrante desta tragédia deprimente, os polígrafos procuram desmentir fake news partindo de uma perspectiva equívoca sobre a realidade: a de que os factos resultam de um jogo com regras claras. Ontem, um homem quis fazer de polígrafo e acabou a fazer a figura triste que sempre fazem os velhos que teimam em não aceitar as novas regras do jogo. O jovem sofista, exímio na exibição de uma sabedoria aparente, lucrou. A razão é óbvia, não lhe interessa minimamente a verdade. Só tem em vista a vitória, seja lá por que meios for. Assim temos, mais uma vez, o espectáculo garantido num canal televisivo cujos investidores esfregam hoje as mãos de contentamento e brindam com Moët & Chandon.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

CARTA BRANCA

 
Israel tem carta branca para matar. A Organização das Nações Unidas nada consegue contra, a União Europeia nem pia, os Estados Unidos da América apoiam, os países árabes olham sobre o ombro dos Estados Unidos da América, África e América do Sul não contam, Coreia do Norte cala-se, China cala-se, Federação Russa mata na Ucrânia, o Japão cala-se, o mundo de joelhos legitima Benjamin Netanyahu como um inimputável que pode cometer os crimes que lhe apetecer. Israel tem carta branca para matar. Nem a Palestina nem o Líbano interessam, podem desaparecer, milhares e milhares de pessoas a morrer, outras a sofrer, o mundo a assistir. Israel a matar.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

CONTAGEM DECRESCENTE

 
Diz Manuel Cardoso no Expresso:

"A CNN, a SIC Notícias e a NOW, durante toda a emissão de terça-feira, optaram por exibir um cronómetro em contagem decrescente que culminava no fim do prazo que Trump tinha dado ao Irão para reabrir o estreito de Ormuz. Aparentemente, o conflito atual em que se tomam decisões mais destrutivas é a guerra de audiências. Para competir com uma noite de Champions, os diretores de informação decidiram pôr no ar um contrarrelógio para o momento em que podiam ser lançadas armas nucleares. O telespectador ficou indeciso entre ver o Arsenal e ver o arsenal. Apesar de tudo, o canal de notícias da Media Livre perdeu a oportunidade de reforçar ainda mais o dramatismo: podia ter alterado, durante 24 horas, o seu nome para Apocalipse NOW."

O Manuel é humorista e isto não tem piada, é mero relato do que se passou, não é caricatural, é verdadeiro, é um retrato fiel da absoluta miséria em que estamos atolados. Felizmente, entre teatro, exposições, instalações e performances, escapei do pântano e passei ao lado do fim do mundo. Que já foi, porque o mundo era composto de seres humanos. Restam simulacros.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

DIA DAS MENTIRAS

 
A notícia é de 31 de Março: Três quartos dos trabalhadores do setor afirmam ter vivido situações de assédio moral e metade de assédio sexual, conclui estudo apresentado pelo projeto MUDA – Assédio nas Artes. DGArtes, ACT e sindicato do setor já tinham conhecimento do fenómeno, mas desconheciam a sua dimensão. Infelizmente, escaparam-me o debate, as manifestações de indignação, as denúncias corajosas, as reflexões, os posts... Numa rede onde tudo é objecto de acesa discussão, sobre isto um silêncio embaraçoso. Não percebo porquê. É uma notícia importante, desmistificadora, porque generaliza a pulhice, demonstra, como outras antes desta, a inexistência de paraísos na Terra. Entre humanos, sejam eles vates do amor, trovadores ou comediantes, pintores apaixonados, bailarinos esvoaçantes ou cineastas sensíveis, enfim, vigora a humanidade e a sua mais básica lei: comam-se uns aos outros, devorem-se em matilha, explorem-se, dêem aos tiranetes que trazem dentro os prazeres do poder, a manipulação, a intriga, o abuso, a violência psicológica, quando não física, usem-se e abusem-se, mas com respeito e doses calculadas de hipocrisia. Era assim no tempo de Maquiavel, não melhorou. Desconfio até que a tendência seja para piorar, a despeito das leis e dos decretos que não protegem os homens dos homens. Não havendo uma base humanista na educação, e ela está cada vez menos presente onde as relações são toldadas pela obsessão do sucesso e pelas lógicas competitivas do capitalismo mais selvagem, faltando essa base humanista que nos educa a olhar para o outro como um ser humano e não como uma máquina de produzir resultados, então tudo falha e a ética, os valores, a moral subsumem-se sob a lei do mais forte, que é a das bestas. Mais ou menos ardilosos, é neste covil de lobos que estamos enfiados. Vingam os insensíveis, a hypokrités (que, se bem sei, quer dizer actor, aquele que dissimula, o que usa máscara).

domingo, 29 de março de 2026

IMAGINE-SE

 


Agora imaginem vocês que eles destruíam escolas e hospitais, matavam mulheres, crianças, velhos e enfermos, executavam famílias inteiras, atiravam a matar sobre ambulâncias, médicos, enfermeiros e jornalistas, não uma, não duas, não três, mas incontáveis vezes. Imaginem que arrasavam com cidades inteiras deixando tudo sob escombros para que cães famintos se alimentassem dos ossos, enquanto incentivavam colonos a invadir e a tomar à força mais parcelas de terreno que nunca foi seu. Imaginem se tudo isto. Não, a porra da missa é que não pode ser. Saturado até ao tutano desta padralhada toda que nos governa, moles eleitos pela lei do mal menor de que não nos livramos. Que tédio.

terça-feira, 24 de março de 2026

CADERNETA DE PULHAS

 


Mais um português de bem para a nossa caderneta de cromos preferida. Chama-se Ivo Ferreira Faria, candidato pelo Chega (quem mais?) à União de Freguesias de Antime e Silvares S. Clemente, em Fafe, e foi detido «em flagrante delito por abuso sexual da filha de cinco anos, devassa da vida privada e pornografia de menores.» Mais se acrescenta que: «A mãe da criança, que não é a actual companheira, precisa que a filha tem cinco anos – e diz ao PÚBLICO que fez queixa por violência doméstica contra Ivo Faria.» Como é óbvio, o Ventrulha e a Rita Matias e o Pedro Opus Dei e mais aquela pandilha retrógrada a que as TVs dão tempo de antena desmesurado, lá virão dizer que, ao contrário dos outros, agiram logo de imediato com expulsões. Acontece que, ao contrário dos outros, não têm mostrado capacidades preventivas, transformando-se num viveiro de todo o tipo de criminosos e mais alguns. O povo que vota neles que se sinta orgulhoso do bem que está a fazer ao país. Que prossiga a limpeza.

segunda-feira, 23 de março de 2026

DANOS COLATERAIS

 
Vem no The Guardian: "Quase 100 feridos em ataques com mísseis iranianos no sul de Israel. Sistemas de defesa aérea israelitas falharam a intercepção de pelo menos dois projécteis durante ataques às cidades de Arad e Dimona". A guerra que ia durar dois dias continua a fazer baixas nos dois lados, isto depois de Trump ter garantido, uma vez, uma segunda vez e uma terceira vez, que as capacidades bélicas do Irão estavam aniquiladas. Já destruíram tudo, mas eles continuam a responder nisto que Pete Hegseth considera ter um "propósito divino": "acções militares dos Estados Unidos são aprovadas por Deus e estão imbuídas de moral cristã", garante o templário com cabeça de KKK. Acabar com teocracias, portanto. Entretanto, no artigo do The Guardian diz-se que "entre os feridos estavam um rapaz de 12 anos e uma menina de cinco anos, ambos em estado grave." Crianças, os danos colaterais dos propósitos divinos.

quinta-feira, 19 de março de 2026

TRUMP JUST SAYS SHIT

Trump says the Iran war will end ‘very soon’ – but it is not clear how. Trump says Iran war will be over 'pretty quickly' but US hasn't 'won enough' yet. Trump says Iran war will end in 'very near future'. Trump: Iran war will end when I ‘feel it in my bones’. Trump says "the war is very complete," and he's considering taking over Strait of Hormuz. Trump Says War Could Last Weeks and Offers Contradictory Visions of New Regime. Trump tells CNN the ‘big wave’ is yet to come in war with Iran. Trump just says shit.

quarta-feira, 18 de março de 2026

A MAIOR POTÊNCIA

 
Trump, líder da maior potência bélica do mundo, meteu-se numa guerra de mão dada com o exército que mata crianças, mulheres, idosos, jornalistas, médicos, destrói escolas, hospitais, um exército de violadores sob a bandeira de Israel e o comando do facínora Benjamin Netanyahu. Agora quer empurrar os aliados para este abismo. Ameaça com o futuro da NATO se os seus aliados não o forem ajudar no inferno em que se meteu, enviando navios para o estreito de Ormuz. Este lunático acusado de pedofilia, empresário falido que se arroga rei de uma república que anda a matar e a perseguir os seus com uma horda de encapuçados conhecida pelo acrónimo ICE, está a empurrar o mundo para uma guerra enquanto o amigo Putin esfrega as mãos de contentamento e os pobres ucranianos caíram no esquecimento. O pior que podia acontecer ao mundo já aconteceu, a sala está cheia de elefantes e, mais uma vez, as únicas vozes sensatas parecem vir lá do Extremo Oriente. Tudo "isto" é do piorio que pudéssemos imaginar e o pior é não passarmos incólumes a "isto" com os nossos tartufos do costume.