"25": Lokomotiv
Há algo comum a todos estes CDs, a guitarra de Mário Delgado. E só num deles não escutamos o contrabaixo de Carlos Barreto, substituído pela tuba de Sérgio Carolino no excelente TGB III (2018). Fui ouver os Lokomotiv a A-da-Gorda na passada sexta-feira, num suposto armazém dos vinhos onde ficámos a seco. Não havia vinho. Belíssimo concerto, celebrando 25 anos de trio (Carlos Barreto, Mário Delgado e José Salgueiro), agora em formato quarteto (Ricardo Toscano no saco alto). São ambientes sonoros dissemelhantes, aqueles que encontramos nestas cinco gravações. Na versão Suite da Terra nota-se a influência das chamadas músicas do mundo, que é como quem diz música enraizada nas tradições mais ancestrais. Os títulos dão conta das diferentes geografias: Terra do N’gumbé, Let’s Goa, Mediterrâneando. Em Filactera, quarteto liderado por Mário Delgado, o mote são as “histórias aos quadradinhos”. Além de Carlos Barreto no contrabaixo e de Alexandre Frazão na bateria, tocam o polaco Andrzej Olejniczak no saxofone tenor e soprano, e Claus Nymark no trombone. O que me agrada nestes músicos, de que a guitarra de Delgado é aqui uma constante, tem que ver com a multiculturalidade oferecida através de uma música que, tendo a sua identidade própria e singular, resulta sempre de encontros com o diverso e da assimilação do que melhor podemos colher nas mais diversas manifestações musicais. Não há nenhuma ditadura estética capaz de usurpar a Terra de Ninguém (de Carlos Barreto) a sua extraordinária beleza ecuménica, devedora tanto das tais músicas do mundo, como do rock... e isso é jazz. Acho que devemos muito a estes músicos. Eu faço a minha parte, vou aos concertos, compro os CDs, escrevo estas coisitas.

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