OS
CÃES DE MÁRIO BOTAS
Os
cães de Mário Botas
não têm título, repousam
serenos sobre sofás literários
e galgam o colo dos donos
como se tivessem asas.
São cães alados, gregos,
nazarenos que ouvimos
uivar em noites de tormenta.
Há deles que rosnam
com bocas hiantes
ou sobem aos telhados
a imitar felinos com cio,
não esgaravatam sobras
nem farejam rabos,
abraçam-se humanamente
caninos. São cães leais
com os quais simpatizamos
por neles não reconhecermos
a morte canídea que nos
roubou sentido à vida
quando ainda mal nascêramos.
Henrique
Manuel Bento Fialho, in “Falar dele no céu de uma paisagem – poemas para Mário Botas,
capa e ilustração de Alexandre Esgaio, volta d’mar/Biblioteca da Nazaré,
Setembro de 2021, p. 20.
Poemas
de A. Dasilva O., Amadeu Baptista, Ana Paula Inácio, António Cabrita, António
de Miranda, Carlos Alberto Machado, Catarina Santiago Costa, Helena Costa
Carvalho, Henrique Manuel Bento Fialho, Inês Dias, Jaime Rocha, João Alexandre Lopes,
João Paulo Esteves da Silva, Jorge Velhote, Jorge Vicente, José Ricardo Nunes,
Levi Condinho, Luís Manuel Gaspar, m. parissy, manuel a. domingos, Margarida
Vale de Gato, Maria F. Roldão, Maria João Cantinho, Marta Chaves, Miguel
Cardoso, Miguel de Carvalho, Miguel-Manso, Miguel Rego, Nicolau Saião, Nuno
Moura, Paulo Correia, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Marques, Rita Taborda
Duarte, Rosalina Marshall, Rui Almeida, Rui Pedro Gonçalves, Rui Tinoco, Sandra
Costa, Sónia Oliveira, Teresa M. G. Jardim, Vasco Gato.
não têm título, repousam
serenos sobre sofás literários
e galgam o colo dos donos
como se tivessem asas.
São cães alados, gregos,
nazarenos que ouvimos
uivar em noites de tormenta.
Há deles que rosnam
com bocas hiantes
ou sobem aos telhados
a imitar felinos com cio,
não esgaravatam sobras
nem farejam rabos,
abraçam-se humanamente
caninos. São cães leais
com os quais simpatizamos
por neles não reconhecermos
a morte canídea que nos
roubou sentido à vida
quando ainda mal nascêramos.

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