segunda-feira, 15 de março de 2021

LEMON DROP (1948)

 


Dei por acaso com uma fotografia tirada em Serralves nos idos de 2004. Não me recordo em que exposição. São duas frases inscritas no soalho: «Se encontrares um seca, manda-o para Meca. Se encontrares um chato, manda-o para o Mato.» Achei graça. Em adolescente, alguns amigos chamavam-me seca. Irritavam-se quando eu começava a falar do super-homem nietzscheano ao passo que eles só queriam falar das super-mamas da Carmen. São gostos. E a vida dá voltas inesperadas. George Wallington, por exemplo, que nasceu siciliano com o nome de baptismo Giacinto Figlia, tinha um pai que cantava ópera mas preferiu enveredar pelo jazz, tocando com os maiores do seu tempo, para abandonar o mundo do espectáculo dedicando-se ao negócio dos ares condicionados. É certo que nos anos 80 do século passado ainda regressou aos palcos, mas sem o fulgor das décadas de ’40, ’50, sem a impetuosidade que o levou a compor um dos mais famosos temas da orquestra de Woody Herman. Foi por essa altura que Herman entrou no filme de Arthur Lubin, New Orleans (1947), ao lado de Billie Holiday e Louis Armstrong, Kid Ory e Zutty Singleton, o guitarrista Bud Scott, outros, outros. Depois foi tramado pelas dívidas fiscais, final que não merecia. Ah, os meus amigos, agora sou eu que os mando para Meca ou para o Mato. Não me chateiem, vou rever o filme do Arthur Lubin.

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