AMANHECE E CALO
Amanhece e
calo;
calo todo o medo, calo qualquer
presságio,
procuro um alvorecer virgem de mim,
procuro o nascer da luz,
não que me ilumine.
NEVE AO VENTO
Flocos de neve ao vento,
caem desde o seu agora,
caem sobre o seu aqui.
Quando não há ontem, quando
hoje é olvido,
não há como imaginar amanhãs:
há só o que sempre existe,
há este ir nascendo.
EM PLENA NOITE
Também em plena noite
a neve
derrete branca
e a chuva
cai
sem perder a transparência.
É ela, a noite,
quem nos livra dos reflexos,
quem nos dilata
as pupilas.
O que o cego busca com a bengala
é a luz, não o caminho.
calo;
presságio,
procuro o nascer da luz,
não que me ilumine.
caem desde o seu agora,
caem sobre o seu aqui.
hoje é olvido,
não há como imaginar amanhãs:
há só o que sempre existe,
há este ir nascendo.
a neve
derrete branca
cai
sem perder a transparência.
quem nos livra dos reflexos,
as pupilas.
é a luz, não o caminho.
Hugo Mujica, versão de HMBF a partir do original coligido
por Marta Ferrari, in Antología – La poesia del signo XX en Argentina,
vol. 7 da colecção La Estafeta del Viento, dirigida por Luis García
Montero e Jesús García Sánchez, Visor Libros, 2010, pp. 373-384.

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