segunda-feira, 19 de julho de 2021

TOMMY

 


   Chama-se Tommy e o final foi feliz. Depois de vários contactos sem efeito, ou porque do outro lado da linha ninguém atendia ou porque "atribuíram-nos funções mas não temos os meios" (GNR), lá encontrámos o dono. Tínhamos acabado de sair do veterinário, onde averiguámos a inexistência de chip, a minha irmã Manuela preparava um canil disponível em casa até se vislumbrar melhor solução, quando uma mensagem da CRAPAA (Caldas da Rainha Associação Protectora dos Animais abandonados) permitiu entrar em contacto com o dono do animal perdido.
   Há nesta história feliz um pormenor triste que merece ser partilhado para reflexão. De uma outra associação protectora dos animais, a resposta que recebemos deixou-me com um nó no estômago: "deve ter sido abandonado por um cigano". Porquê? Porque foi encontrado num bairro, o nosso, que é conhecido por cá como "bairro dos ciganos". Esta designação deve-se ao facto de entre dezenas de famílias aqui residentes haver uma meia dúzia de etnia cigana, meia dúzia que valem pelo todo e são a causa dos males maiores e menores neste bairro e nos arredores e na cidade inteira. Aproveitando o facto de a minha mulher ir a conduzir, respondi eu à criatura protectora dos animais, fazendo-me passar pela Ana, dizendo que o meu marido é cigano (eu mesmo) e sabe que o animal não é propriedade de nenhum desses desprezíveis e cruéis malfeitores de tez sarracena. Gratos pelo contributo para a identificação do abandono étnico-racial, daríamos o melhor seguimento à ocorrência. O espécime ainda respondeu, mas já não dava para entabular conversa.
   Ficai vós, ó eventuais leitores, sabendo que em deparardes com animais ao abandono o mais certo é tratar-se de bicho dispensado pela funesta ciganagem que polui esta nobre nação de berardos, vieiras, sócrates, varas e espíritos santos. A dona do Tommy vestia de preto e andava de bicicleta, tinha aspecto de aluna da ESAD. Também não é raça confiável. Muitos deles nem carne comem. Modas.

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