A enxurrada de amnistias vertida pela vinda do Papa é
mais uma desavergonhice na república de bananas em que este país foi
transformado. O estado é laico, o estado é republicano, o estado não tem, ou
não devia ter, credo, igreja, religião, muito menos a justiça do estado, que se
supõe ser cega. Porque é que o Papa de uma igreja incapaz de condenar os seus
criminosos, como se tem visto no lamaçal pedófilo de abusos sexuais e noutras
querelas vaticanas, há-de ser pretexto para amnistias? O perdão e as indulgências
são matérias medievas, deviam ter ardido na fogueira da separação do Estado e
da Igreja, tal como as concordatas e outras promiscuidades quejandas. Querem
perdoar, perdoem no Parque do Perdão, não nos tribunais nem nos
estabelecimentos prisionais da República. Tudo isto é uma celebração fúnebre da
democracia.
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