sábado, 13 de dezembro de 2025

50 x 38

 


 
“I’m Free Now”: Morphine
 
Regresso aos Morphine por causa de uma epígrafe no livro da Margarida. «Come and get me in my sleep», cantava o malogrado Mark Sandman em The Saddest Song, a segunda de Good (1992). Naquele ano, estava eu a aportar na capital, fui surpreendido pela possibilidade de uma banda rock ser composta por bateria, guitarra baixo e saxofone. Era coisa nunca antes vista, creio, e resultava. No Blitz, António Pires falava dos Feelies e de Hugo Largo em termos comparativos, mas lá se perdia a descrever os Morphine como «uma máquina de som que, apesar de ter uma estrutura aparentada com o jazz, está muito mais próxima da pop “tal como nós a entendemos”». Eu prefiro falar de rock, até porque tive oportunidade de lhes sentir a energia ao vivo. De álbum para álbum, a conversa dos recursos esgotados ia sendo desmentida pelos punhados de canções irrepreensíveis maioritariamente compostas por Sandman. Cure For Pain (1993), Yes (1995), Like Swimming (1997), não davam espaço a dúvidas: estávamos perante um dos projectos rock mais arrojados, inteligentes e alternativos dos  últimos tempos. Depois veio a noite, após um ataque cardíaco que vitimou Sandman em palco, na Palestrina, Itália. Tinha 46 anos. Estou agora a ouvir You Look Like Rain e redescubro-lhe as raízes no Tom Waits mais jazzístico. Acho que me fico por Cure for Pain, na esperança de que também eu possa vir a prescindir das drogas quando for livre.

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