
“Hey You”: Pink Floyd
Regresso aos Pink Floyd com a
sensação de que o tempo não passou. The Wall (1979) conserva uma actualidade arrepiante,
sobretudo quando chegamos aos acordes de Goodbye Blue Sky. Apesar de Another
Brick in the Wall, o single, rodar lá em casa, comecei a ouvi-los com mais
interesse após A Momentary Lapse of Reason (1987). Depois fui coleccionando
tudo em vinil desde The Piper at the Gates of Dawn (1967), a obra-prima que
ainda contou com Syd Barrett. Nunca me interessaram classificações como as de
rock psicadélico ou de rock progressivo para classificar a música de Roger
Waters e companhia. Quem escute Ummagumma (1969) perceberá ser tudo mais
complexo do que os rótulos permitem definir. Gosto da componente política das
canções, associada a uma compreensão existencialista da pessoa humana, confiando-nos
amiúde o isolamento social, a solidão, o exílio autoimposto como alternativas a
uma mundanidade claustrofóbica. Mas todo este discurso é escusado
e fastidioso depois de nos recostarmos num sofá a saltar de disco para disco.
Como a certa altura escreveu Shakespeare, creio ter sido Shakespeare, a música
tem essa estranha capacidade de tornar alegre a tristeza e triste a alegria,
desligando-nos, nem que seja por breves instantes, de um mundo a que não
queremos mesmo nada estar ligados.
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