sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

50 X 39

 


 
“Hey You”: Pink Floyd
 
Regresso aos Pink Floyd com a sensação de que o tempo não passou. The Wall (1979) conserva uma actualidade arrepiante, sobretudo quando chegamos aos acordes de Goodbye Blue Sky. Apesar de Another Brick in the Wall, o single, rodar lá em casa, comecei a ouvi-los com mais interesse após A Momentary Lapse of Reason (1987). Depois fui coleccionando tudo em vinil desde The Piper at the Gates of Dawn (1967), a obra-prima que ainda contou com Syd Barrett. Nunca me interessaram classificações como as de rock psicadélico ou de rock progressivo para classificar a música de Roger Waters e companhia. Quem escute Ummagumma (1969) perceberá ser tudo mais complexo do que os rótulos permitem definir. Gosto da componente política das canções, associada a uma compreensão existencialista da pessoa humana, confiando-nos amiúde o isolamento social, a solidão, o exílio autoimposto como alternativas a uma mundanidade claustrofóbica. Mas todo este discurso é escusado e fastidioso depois de nos recostarmos num sofá a saltar de disco para disco. Como a certa altura escreveu Shakespeare, creio ter sido Shakespeare, a música tem essa estranha capacidade de tornar alegre a tristeza e triste a alegria, desligando-nos, nem que seja por breves instantes, de um mundo a que não queremos mesmo nada estar ligados.

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