sábado, 17 de janeiro de 2026

IMAGINEMOS

 


Suponhamos a pergunta: «Como se pode imaginar o que não existe?» A resposta parece ser: «Se o fazemos, imaginamos combinações não existentes de elementos existentes». 

(...)

Imaginem um homem cujas memórias nos dias pares da sua vida incluíssem todos os conhecimentos de todos os dias pares, omitindo completamente o que tinha acontecido nos dias ímpares. Por outro lado, ele lembra-se num dia ímpar do que aconteceu em dias ímpares anteriores, mas a sua memória omite, nesse caso, os dias pares, sem qualquer sensação de descontinuidade.

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Imaginem uma linguagem em que, em vez de «não encontrei ninguém no quarto», se dissesse «encontrei o Sr. Ninguém no quarto». 

Ludwig Wittgenstein, in O Livro Azul, trad. Jorge Mendes, Edições 70, 1992.

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