Esta
noite sonhei que me encontrava numa livraria chamada Paralelo W, embora o
espaço físico se assemelhasse mais à Utopia. Ao balcão, um velho amigo de Rio
Maior com o rosto de um ex-colega de trabalho. Acontece-me frequentemente, nos
sonhos e não só, ver nas pessoas rostos que não são os delas. Eu procurava a
poesia completa do Paulo Leminski. Os livros tinham todos lombadas em tons
quentes, amarelos, laranjas, vermelhos. A pessoa que me acompanhava criticou a
parca selecção de livros de fotografia. De repente, a livraria começou a
encher. Entraram sobretudo mulheres. Uma delas cumprimentou-me, mas não a
reconheci. Outra trazia um carrinho de bebé. A livraria, que ficava junto à
casa da pessoa que me acompanhava, começou a descolocar-se transformando-se num
autocarro ou noutro qualquer transporte público. Uma das mulheres que entrara,
supostamente cliente, marcava agora os livros com uma máquina manual das
antigas. A do carrinho de bebé pediu-me que a ajudasse a arrumar uns sacos,
como se fôssemos amigos ou conhecidos. A pessoa que me acompanhava reclamava
agora da parca selecção de livros sobre música.
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