terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

LIVRARIA PÚBLICA

Esta noite sonhei que me encontrava numa livraria chamada Paralelo W, embora o espaço físico se assemelhasse mais à Utopia. Ao balcão, um velho amigo de Rio Maior com o rosto de um ex-colega de trabalho. Acontece-me frequentemente, nos sonhos e não só, ver nas pessoas rostos que não são os delas. Eu procurava a poesia completa do Paulo Leminski. Os livros tinham todos lombadas em tons quentes, amarelos, laranjas, vermelhos. A pessoa que me acompanhava criticou a parca selecção de livros de fotografia. De repente, a livraria começou a encher. Entraram sobretudo mulheres. Uma delas cumprimentou-me, mas não a reconheci. Outra trazia um carrinho de bebé. A livraria, que ficava junto à casa da pessoa que me acompanhava, começou a descolocar-se transformando-se num autocarro ou noutro qualquer transporte público. Uma das mulheres que entrara, supostamente cliente, marcava agora os livros com uma máquina manual das antigas. A do carrinho de bebé pediu-me que a ajudasse a arrumar uns sacos, como se fôssemos amigos ou conhecidos. A pessoa que me acompanhava reclamava agora da parca selecção de livros sobre música.

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