No que diz respeito ao loisir, a morte de Louis XIV põe fim a um período de rigor e austeridade que esmagava o Teatro, inaugurando um tempo de divertissement em que os philosophes têm significativa influência, viz, pela introdução, na comédia, de temas que dão ao RISO uma virtualidade subversiva.
Em Londres, a partir de 1660, quando morreu Cromwell (que tinha proibido o Teatro), os ingleses mais affluent (re)descobriram que a frequência dos Teatros podia ser um excelente meio de ocupar alegremente o seu tempo de leisures.
De resto, Charles II - regressado do seu exílio francês - trouxe consigo um numeroso séquito de comediantes e performers que materializavam a sua paixão pelo Teatro, divulgando-o entre as gentes de todos os quadrantes. Pela primeira vez, as mulheres podiam subir ao palco, e a música, fantasias, e outros adereços extravagantes, florescem, provocando na audience o RISO que desconstrói toda a espécie de authority.
Henrique Garcia Pereira, in Memórias do século XX para a contestação satírica da ordem vigente no século XXI, Companhia das Ilhas, Agosto de 2025, p. 66.

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