Almoço de trabalho no Real Balcão 5. Congeminemos a
revolução, mas de estômago reconfortado. A transformação do mundo exige filete
de peixe-galo regado com Alvarinho e rematado com uma mousse de chocolate
pingada. Primeira nota a pedir conclusão: a política deixou de ser feita pelas
pessoas para acabar nas mãos de profissionais, funcionários com direito a
sindicato ao abrigo do Código do Trabalho. Anda tudo a tratar da vidinha, o
povo, as elites, a burguesia, o clero, a corte tomada de assalto por saloios
secretariados & etc. Haja sentido de humor para digerir isto, a despeito da
verdadeiramente revolucionária açorda que acompanhava o peixe-galo. Segunda
nota a pedir conclusão, ocorrida no decorrer de leituras outras: as revoluções
foram sendo sucessivamente adiadas no nosso burgo exíguo porque os
revolucionários, isto é, os porta-estandarte da revolução, entre os quais
destacamos anarquista e libertários, comunistas e situacionistas, entre outros
istas mais ou menos dilatados pela vontade, sempre estiveram demasiadamente
empenhados a lerem os livros uns dos outros e a produzirem comentários sobre
comentários teóricos, também eles escravos dos papers nas universidades colectivas
e partidárias. Nunca no nosso povo houve um ímpeto verdadeiramente
revolucionário, o povo foi sempre a reboque, nunca ergueu a forquilha de modo
organizado, foi sempre em rebanho atrás desses pastores de ideias sem
consequência. Dito isto, venha a aguardente.
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