Cada vez menos preocupado com as expectativas, esforço-me
por responder ao solicitado com o desinteresse de quem segue uma rotina. A
capacidade para registar nomes, factos, diminuiu com o tempo, o espaço que
sobra à memória fustigada é diminuto. O método passa por não atribuir relevância à maioria das coisas que nos vão acontecendo, àqueles livros que
lemos para passar o tempo, aos filmes, às peças, às exposições, a esses
milhares de páginas com nomes e títulos que vão pesando, de dia para dia, sobre
os ombros curvados de um corpo que se inclina cada vez mais para o chão,
apoiando-se nas moletas que são pilares ou faróis inseparáveis. E depois,
ouvir-me na boca dos outros nunca me agradou particularmente.
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