O ponto de partida poderiam ser os dois versos de Almada
sobre Camões, o poema de Sophia, a tença, ou as acusações de Joaquim Manuel
Magalhães a propósito de Ruy Belo, talvez os lamentos de Tolentino, os esforços
de Francisco Rodrigues Lobo ou as sujeições de Camilo, a precariedade eterna do
escritor profissional, o que é isso?, os leitores em escala reduzida, os
intermediários na produção, a distribuição deficiente, este eterno amadorismo,
o mercado do livro a partir do século XVIII, fenómenos de popularidade versus
legitimação académica, o Pessoa praticamente desconhecido à hora da morte,
entretanto convertido em capa de sabonete, as feiras, os festivais, os saraus e
os serões, toda essa parafernália de encontros que desencontram, a
monopolização do mercado, as medidas avulsas, as bibliotecas, a míngua, a
segunda actividade, a eterna subjugação do ímpeto criativo à necessidade de
sobrevivência.
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