quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

SUBSERVIÊNCIA

 

O ponto de partida poderiam ser os dois versos de Almada sobre Camões, o poema de Sophia, a tença, ou as acusações de Joaquim Manuel Magalhães a propósito de Ruy Belo, talvez os lamentos de Tolentino, os esforços de Francisco Rodrigues Lobo ou as sujeições de Camilo, a precariedade eterna do escritor profissional, o que é isso?, os leitores em escala reduzida, os intermediários na produção, a distribuição deficiente, este eterno amadorismo, o mercado do livro a partir do século XVIII, fenómenos de popularidade versus legitimação académica, o Pessoa praticamente desconhecido à hora da morte, entretanto convertido em capa de sabonete, as feiras, os festivais, os saraus e os serões, toda essa parafernália de encontros que desencontram, a monopolização do mercado, as medidas avulsas, as bibliotecas, a míngua, a segunda actividade, a eterna subjugação do ímpeto criativo à necessidade de sobrevivência.

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