Desaparece um escritor dito maior e lá aparece um desfile
de patos e de galinhas nas exéquias, a cacarejarem e grasnarem os maiores
disparates. Aposto o tomate esquerdo em como não leram um único livro do
defunto, nem aquele que convida o Tony no dia da família, nem o outro que
cambaleia pelas ruas, nem aquela que coisa. De resto, o dito maior há muito que
não tinha leitores. Quero dizer, tinha os que tinha, mas as vendas haviam
decrescido nos últimos anos consideravelmente. Vai agora regressar aos tops, por
certo empurrado pela morte e o voo das campanhas necrófagas. Foi assim com a
Santa Agustina, assim será com o Santo Antunes e outros lhe seguirão. Lembro-me
que nos últimos anos, mais ou menos a partir de "Sôbolos Rios Que
Vão" (2010), as devoluções eram consideráveis. No Natal, lá marchavam
algumas remessas. Ficava bem oferecer um livro do Lobo, desde que não uivasse
para inquietação das almas. Os títulos eram difíceis - "Para Aquela que
Está Sentada no Escuro à Minha Espera" (2016), "Até Que as Pedras Se
Tornem Mais Leves Que a Água" (2017) -, pelo que os putativos leitores
pediam o último Lobo Antunes e pronto, quando pediam. Tantas vezes nem nome de
autor, quando mais o barroquismo dos títulos. Aquele que é candidato ao Nobel,
diziam. Enfim, a distância entre as palmas e o coração é sempre um fosso imenso
onde a inteligência em queda espera não se estatelar. "Como poucos revelou
as vísceras da alma e as sinopses do corpo.", disse o dos Negócios
Estrangeiros. E eu a desesperar por um jornalista, um único, que lhes
perguntasse uma coisa tão simples como: qual o livro dele que aconselha e
porquê?
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