Sinto honesta admiração pelos escritores que, de um modo ou de outro, concentram a acção das suas obras num espaço geográfico que lhes é familiar, seja a aldeia perdida da infância, a cidade onde envelheceram ou um qualquer lugar de facto. A Curitiba de Trevisan, a Lisboa de O’Neill, o Alto Douro de José Rentes de Carvalho, a Dublin de Joyce, etc., adquirem configurações novas depois de descobertos pela pena destes escritores. Seria incapaz de tais efeitos. Nunca senti tal apelo, talvez por não me sentir de lugar algum. Pária entre párias, ando no limbo de geografias de passagem em que não me pretendo fixar. A terra da infância ficou enterrada numa ruralidade mais imaginária do que real, a passagem por Lisboa alimentou o esquecimento, a fixação no Litoral Oeste só me tem trazido desejos de partir. Não me interessam fronteiras nem os detalhes dos lugares, prefiro andar por aí respigando pegadas humanas que me levem onde nunca fui. (Melo, Gouveia)
domingo, 22 de março de 2026
NA CASA DE VERGÍLIO
Sinto honesta admiração pelos escritores que, de um modo ou de outro, concentram a acção das suas obras num espaço geográfico que lhes é familiar, seja a aldeia perdida da infância, a cidade onde envelheceram ou um qualquer lugar de facto. A Curitiba de Trevisan, a Lisboa de O’Neill, o Alto Douro de José Rentes de Carvalho, a Dublin de Joyce, etc., adquirem configurações novas depois de descobertos pela pena destes escritores. Seria incapaz de tais efeitos. Nunca senti tal apelo, talvez por não me sentir de lugar algum. Pária entre párias, ando no limbo de geografias de passagem em que não me pretendo fixar. A terra da infância ficou enterrada numa ruralidade mais imaginária do que real, a passagem por Lisboa alimentou o esquecimento, a fixação no Litoral Oeste só me tem trazido desejos de partir. Não me interessam fronteiras nem os detalhes dos lugares, prefiro andar por aí respigando pegadas humanas que me levem onde nunca fui. (Melo, Gouveia)
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