Diz Manuel Cardoso
no Expresso:
"A CNN, a SIC
Notícias e a NOW, durante toda a emissão de terça-feira, optaram por exibir um
cronómetro em contagem decrescente que culminava no fim do prazo que Trump
tinha dado ao Irão para reabrir o estreito de Ormuz. Aparentemente, o conflito
atual em que se tomam decisões mais destrutivas é a guerra de audiências. Para
competir com uma noite de Champions, os diretores de informação decidiram pôr
no ar um contrarrelógio para o momento em que podiam ser lançadas armas
nucleares. O telespectador ficou indeciso entre ver o Arsenal e ver o arsenal.
Apesar de tudo, o canal de notícias da Media Livre perdeu a oportunidade de
reforçar ainda mais o dramatismo: podia ter alterado, durante 24 horas, o seu
nome para Apocalipse NOW."
O Manuel é
humorista e isto não tem piada, é mero relato do que se passou, não é
caricatural, é verdadeiro, é um retrato fiel da absoluta miséria em que estamos
atolados. Felizmente, entre teatro, exposições, instalações e performances,
escapei do pântano e passei ao lado do fim do mundo. Que já foi, porque o mundo
era composto de seres humanos. Restam simulacros.
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