quinta-feira, 21 de maio de 2026

OLFACTOLOGIA DAS CIDADES


Nos anos sessenta não se perguntava a um amigo "onde é que moras"?, mas "em que Café é que paras?". Estes distinguiam-se, em primeiro lugar, pelo tipo de habitués que os frequentava, mas também por coisas tão (aparentemente) subvalorizadas como a disposição e forma das mesas, a configuração "gestáltica" do espaço, o número de saídas (para eventuais fugas apressadas), e até - estranhamente - o cheiro que predominava no "estabelecimento" (está por fazer uma olfactologia das cidades).

Henrique Garcia Pereira, in O Técnico Insurgente nos Anos 60 e seu enquaramento socioeconómico, Companhia das Ilhas, Maio de 2026, p. 50.

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