32.
marinheiro de água
turva
fecha a fronteira
quando amanhas o peixe
passando-o por seiva tépida
e as tuas rugas
cobertas de sarro e escamas
deixam o cálice pendu
rado para amanhã
como fazes igual com a âncora
e as amantes
que esculpes em barro tosco
nesses grotescos dedinhos teus
sinal de falta de vitamina e muita
lama
parda e perdida
estômago duro de roer
o teu
marinheiro de água-mel
embacias os dentes com o teu açúcar
mentiroso
restar-te-á um mar de cáries
e um par de cornos
Inês Francisco Jacob, in Maremorto, Alambique, Novembro de 2021, p. 40.

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