quinta-feira, 23 de julho de 2026

INCÚRIA

 
Um homem velho, inteligente o suficiente para te seduzir, capaz de atrair os outros para os seus projectos pessoais sob a capa de trabalho colectivo. Algo que depressa se aprende: neste mundo todos estão por si mesmos, egoístas, narcisistas, ainda que apregoem o contrário. Amigos ausentes, tantos. Onde param eles? Seriam amigos? O tempo torna tudo isso tão claro, tão claro que os pensamentos ficam obnubilados pela tristeza da constatação. O ciúme mostra-se sem discernimento, afinal há frustração e fragilidade naquela soberba, julgar-se-á melhor do que os outros reconhecem, dispara em todas as direcções excepto sobre si mesmo, isso seria um suicídio. O tacticismo cansa, a manipulação satura, então deixas-te usar por quem tenta usar-te, aquele que de ti se serve para afastar quem não lhe convém sabe que estás atento. Por isso cala-se. Arranjam-nos inimigos que jamais pretenderíamos. A inteligência dos factos leva ao distanciamento, um encolher de ombros o’neilliano, nada do estratega que escreveu O Príncipe, não estamos em guerra senão com a nossa própria incúria.

Sem comentários: