Um homem velho, inteligente o suficiente para te seduzir,
capaz de atrair os outros para os seus projectos pessoais sob a capa de
trabalho colectivo. Algo que depressa se aprende: neste mundo todos estão por
si mesmos, egoístas, narcisistas, ainda que apregoem o contrário. Amigos
ausentes, tantos. Onde param eles? Seriam amigos? O tempo torna tudo isso tão
claro, tão claro que os pensamentos ficam obnubilados pela tristeza da constatação.
O ciúme mostra-se sem discernimento, afinal há frustração e fragilidade naquela
soberba, julgar-se-á melhor do que os outros reconhecem, dispara em todas as
direcções excepto sobre si mesmo, isso seria um suicídio. O tacticismo cansa, a
manipulação satura, então deixas-te usar por quem tenta usar-te, aquele que de
ti se serve para afastar quem não lhe convém sabe que estás atento. Por isso
cala-se. Arranjam-nos inimigos que jamais pretenderíamos. A inteligência dos
factos leva ao distanciamento, um encolher de ombros o’neilliano, nada do
estratega que escreveu O Príncipe, não estamos em guerra senão com a nossa
própria incúria.
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