FÁBRICA
RIMBAUD/1
Ó contos de fadas fechados em fábricas cinzentas!
[Georg Trakl]
Também eu empurro, como me compete, os limites que um dia
conjurei, as ordens que desabam, as leis que apodrecem, a auto-piedade das
nações, a calmaria imaginada antes de a decadência fermentar enegrecidamente,
mas consigo atravessar a chuva de loucura e confusão,
quem te mostrou como ser tão arrogante, contra todas as
correntes, mesmo antes de viveres a última ambiguidade às três da madrugada, o
berço da minha humilhação – a merda de pássaro está claramente no teu campo
Chega de espectáculos, de temporada para temporada, não
sinto falta de nada
- ah sim, a saudade dos bons poetas de arma na mão.
Gógou e
Pasolini :: Anna Mendelssohn, Miyó Vestrini
e nos traumas fantasmagóricos desenvolvo a minha devoção
de mil espécies de raiva e fogo e conflagração,
dos tormentos da minha alma :: fuga, arroubos e sonhos
migrantes
:: A burguesia foi há muito globalizada.
Peter Bouscheljong, Pequena Poética da Insurreição,
tradução de António Gregório a partir da versão inglesa, capa de André Lemos e
Sara Mealha, Barco Bêbado, Novembro de 2024, p. 99.

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