Esta noite sonhei que eu não era eu. Para ser mais
exacto, eu era eu, estava no sonho, mas não aparecia, havia um outro que era o
meu corpo, a minha voz, com quem eu interagia, se bem que não fosse eu. E esse
outro-eu estava sempre a repreender-me porque eu fazia tudo ao contrário do que
era esperado. Por exemplo, o eu-outro pedia-me que abrisse um chapéu de chuva.
Eu abria, mas o chapéu chovia. Era um chapéu que dava chuva em vez de nos
proteger da chuva. A cada porta que o eu-outro me pedia para fechar, eu abria,
ainda que depois, ao atravessar a porta, eu sentisse que entrava quando saía e
saía quando entrava. Acordei muito angustiado, a ponto de sentir necessidade de
me levantar e dirigir-me à casa de banho para lavar o rosto. Assim fiz,
reparando, ao chegar à casa de banho, que havia calçado os chinelos ao
contrário, o esquerdo no direito e o direito no esquerdo. Fiquei então muito
aliviado, estava tudo certo no sonho, acabei até a lavar os pés em vez do
rosto, não havia problema algum comigo, entre o sonho e a realidade tudo batia
certo, a normalidade é que não me cabia nos pés.
1 comentário:
Os sonhos são a nossa vida trazida do inconsciente. Às vezes é difícil interpretá-los e cada um que interprete, ou recorra à ajuda de um psicanalista. Sobre o que conta, longe de mim o atrevimento de... Lembro só que a água é o símbolo de fertilidade e vida,
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