10.
Ando cansado, amargurado, sem um sorriso, e os olhos
doem-me ao cair da tarde. Como um anjo aborrecido,
lento, aproximo-me dos livros, dos papéis e tento acender
um fósforo inutilmente. Já não conheço a literatura, meu
amor.
A literatura não vem nos jornais, embora tropece nos
silêncios,
nos degraus, nos bancos do jardim, embora tenha nascido
nocturna. Ando perdido, e nas pedras negras da costa
vejo o último atalho, a garrafa dos apelos finais
abandonada.
José Viale Moutinho, in Ocasos de Iluminação Variável,
Editora Ausência, Abril de 2005, p. 22.

1 comentário:
Perdemos um grande escritor que nunca se deixou adormecer e se manteve a olhar para o futuro. Perdi um grande Amigo.
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