Prémio Nobel da Literatura em 1963, Yórgos Seféris (Esmirna, Império Otomano, 1900 – Atenas, 1971) só publicou poesia e ensaio em vida. Também Strátis, personagem principal de Seis Noites na Acrópole (1974), aspira a poeta e ensaísta. Publicado agora em Portugal pela E-Primatur, com tradução de José Luís Costa, este romance póstumo transporta-nos para a Grécia «nos tempos da ditadura de Pángalos», portanto, entre 1925-26, através de um grupo de jovens intelectuais que busca «ganhar coesão» reunindo-se na Acrópole em noites de lua cheia. O retrato é de desalento, uma Grécia com a identidade em ruínas, visitada por turistas, povoada por bêbados, putas e jovens desencantados. As relações no interior deste grupo de aspirantes a intelectuais, são, de algum modo, metonímicas da dispersão, do desterro, do exílio em que os gregos viveram carregando aos ombros os destroços de um passado glorioso. As aventuras amorosas, também elas malogradas, encontram no lugar do bordel a representação mais naturalista da decadência social em que as personagens estão metidas. Alternando entre a prosa diarística de uma personagem e o relato dos acontecimentos, Seféris deixou-nos nesta obra um testemunho pungente do sentimento de solidão que o perseguiu como sombra de uma identidade cultural fracturada. Restam ruínas:

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