Tó Zé está a pensar na melhor forma de incluir a palavra
robótica numa intervenção sobre os acontecimentos da noite passada. Montenegro
não viu nada, estava com a família no Casino de Espinho a assistir ao
espectáculo do Baião. Adorou. As noras também. Ventura discute com o staff as
próximas produções para o TikTok, talvez de pernas e braços abertos, à laia de
Van Damme, entre polícias e manifestantes. Tresandando a álcool, Tânia Laranjo
queixa-se do cheiro a ganza no Rossio. Rita Maria exige fraldários para meninos
e para meninas. Leitão Amaro está a fazer um reel com as mãos na cabeça. Luís
Neves vai transformar em jacuzzi a piscina que já foi tanque para que os
portugueses finalmente percebam o que é um elevador social. Carlos Abreu Amorim
devora croissants de chocolate barrados com manteiga enquanto assiste ao relato
da partida entre PSP e arruaceiros. Paulo Núncio juntou-se numa picaria àquele
rapaz do Chega com cara de fiambre. Pedro Pinto fez de boi. Nuno Melo lamenta
as lamentáveis lamentações dos jovens lamechas que não se alistam no exército
para recuperar Olivença. Há casamatas para todos. Nas televisões, os
comentadores comentam. Na rua, os sem-abrigo passam frio. No escritório, a
banca lucra, as seguradoras lucram, as gasolineiras lucram, a especulação
imobiliária lucra.
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