quinta-feira, 13 de julho de 2023

BAIXAR O NÍVEL

 


O fundo sem fundo da educação em Portugal, patente nesta notícia que traz mais um belo exemplo do que significa nivelar por baixo. Em vez de tornarem a carreira docente atractiva, exigindo professores como deve ser, bem pagos e sem terem de andar com a casa às costas uma vida inteira, metem mais um penso rápido na chaga gangrenada. Qualquer dia têm trolhas a dar geometria descritiva, contratam professores de português no Bangladesh e distribuem diplomas à la carte. Os resultados estão à vista de todos menos dos voluntários da cegueira: a matemática é um desastre, a língua portuguesa foi reduzida a meia dúzia de palavras (slay incluído), espírito crítico no nível 0, cultura geral profunda em apostas desportivas e tutoriais de maquilhagem. Tive uma, recentemente, que me disse toda satisfeita que 1910 foi o ano da conquista de Ceuta. É claro que isto tem custos. Eu passo a vida a bater na mesma tecla cá em casa, o barato sai caro. Esta educação barata, vendida há muito em época de saldos, vai ter um custo gravíssimo. Brecht tinha aquele poema em que aconselhava a festejos comedidos quando Hitler perdeu a guerra. É que o ninho onde esses tiranos foram cagados nunca foi extinto. A estupidez generalizada em massas permeáveis ao populismo, com a cabeça enfiada nas redes sociais e o pensamento algoritmado, será manteiga para a faca dos tiranos. Não gosto de profetizar tragédias, sou optimista da vontade. Mas cheira-me a esturro.

1 comentário:

Transhümantes disse...

Quanto mais degradada se tornar a educação melhor justificada será a introdução da "inteligência" artificial... acabei de ler justamente um artigo sobre o assunto.

Deixo aqui o enlace: https://www.cubaperiodistas.cu/2023/07/eso-que-llaman-inteligencia-artificial/

Essa de Ceuta nem é muito má em comparação com a que ouvi aqui na boca de uma directora de loja, que os afroamericanos existiam porque África fazia fronteira com a América...é o sistema educativo britânico no seu melhor.

Abraço.