quinta-feira, 20 de julho de 2023

ESTREIA

 


Enquanto a fina flor do entulho se entretém com cocós e galarós mais lisboetices costumeiras, nós por cá estamos empenhados na semiótica dos traques da Maria Parda. Uma das vantagens do português arcaico é distanciar-nos das parvoíces que por aí vão entretendo meninos zangados com o mundo mas satisfeitíssimos consigo mesmos. O meu mestre, por estes dias, é aquele Mortinheira que se interroga a quem Deus sairá para que tanto mal tombe sobre o mundo. E conclui: conforme-se ele comigo, Deus, que eu para artistas a beijar anéis papais e literatos cegos de si mesmos, tão metidos nas suas querelas literárias que nem se dão conta da indigência em que estão observados da Paris Review, já cavei valas comuns bem fundas. Ontem, minutos antes de começar, estava o auditório neste estado. Todas as noites o público é diferente, tal como a função, e as reacções replicam as gárgulas nos beirais. Ouvi um "porra" que soube melhor do que qualquer crítica literária poderia saber. E anteontem alguém me dizia, fiquei com uma pergunta a ecoar na cabeça: "quantas crianças terão aulas de piano no Sudão?" Valeu.

Sem comentários: