Conta o camarada Chinaski:
"O vinho corria, e o Jon-Luc não se cansava. Acontece-me com frequência estar na companhia de seres humanos, quer bons quer maus, e os meus sentidos se embotarem, cansarem-se, e eu desistir. Sou educado. Assinto com a cabeça. Finjo que compreendo porque não quero magoar ninguém. Das minhas fraquezas, é aquela que mais dissabores me tem causado. Ao tentar ser amável com os outros, muitas vezes fico com a alma desfeita numa espécie de esparguete espiritual. Não tem importância. O meu cérebro desliga. Eu ouço. Eu respondo. E eles nem têm inteligência para perceber que eu não estou ali. O álcool corria, e o Jon-Luc não se cansava. Estou certo de que ele disse imensas coisas espantosas. Eu cá limitei-me a concentrar-me nas sobrancelhas dele..."
Onde se lê Chinaski, leia-se Bukowski. Onde se lê Jon-Luc, leia-se Godard. O romance chama-se "Hollywood".
1 comentário:
Ler Bukowski é libertário. Seria bom se ele ainda vivesse: o que diria de Trump?
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