terça-feira, 27 de janeiro de 2026

77

 
Fui ver o debate. André Ventura proferiu 77 vezes o nome do seu adversário nas respostas às perguntas que lhe eram feitas. António José Seguro proferiu 20 vezes, sendo que 9 foram a pedir para que Ventura não o interrompesse. Seguro tentou falar do país, Ventura passou o tempo a falar de Seguro chamando-lhe rainha de Inglaterra, miss Portugal, arrogante, entre outros epítetos fundamentais para o nosso futuro. Ventura engoliu em seco quando Seguro expôs o seu exemplo pessoal em matéria de subvenções, nas propostas que no passado fez para combate à corrupção. E à pergunta sobre quantos desempregados há no país, Ventura respondeu: "Eu respondo a seguir." Ainda estamos à espera. Em matéria de imigração, face ao exemplo espanhol de legalizar 500 mil imigrantes, André Ventura confundiu deixar entrar mais imigrantes com regularizar a situação dos imigrantes que já estão no país. Em matéria de política internacional, disse, sem se rir nem ter nenhuma crise esofágica, que devemos ser amigos de democracias como Israel e EUA. São, não haja dúvidas, óptimos exemplos de democracia na actualidade. Ventura diz esta coisa extraordinária: "Portugal não se deve vergar perante os nossos antigos palops". Os nossos antigos palops, diz ele, acrescentando que não temos de pedir desculpa pelo nosso passado e que prefere enganar-se a deixar tudo na mesma, entre outros chavões costumeiros. Ventura acha que o socialismo mata, mas quando um jornalista lhe diz que o que está a defender podia ser dito por um socialista não só não discorda, como anui. E lá vai dizendo que está de acordo com Seguro em algumas matérias de lei de bases da saúde, legislação laboral, entre outras. Portanto, Ventura está por vezes de acordo com Seguro ao mesmo tempo que o acusa de não ter ideias nenhumas e querer que tudo fique na mesma. Já Ventura tem ideias muito boas, como entregar a nomeação do Procurador-Geral da República, sei lá, tipo a uma corporação de procuradores, ó isso. Gostei do debate, ouvir André Ventura dizer 77 vezes António José Seguro deixou-me confortável quanto ao meu sentido de voto.

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