domingo, 18 de janeiro de 2026

DESASTRE À VISTA

 
Olhando para os resultados nacionais, concluímos que a abstenção cresceu face às últimas legislativas. Mais de 5 milhões de eleitores não foram votar. Isto, do meu ponto de vista, continua a ser preocupante. Da mesma forma, embora mais compreensível, também nos devem preocupar 65381 votos nulos e 61226 em branco. Muito menos, curiosamente, do que nas últimas legislativas, que só em nulos somou 172 379 votos. O boletim de voto destas presidenciais vai ficar para a história como mais uma vergonha nacional. Não se percebe, por mais voltas que se dê, a inclusão de três candidaturas recusadas. Dito isto:
Estrondosa vitória de António José Seguro contra todas as expectativas iniciais. O país abrilista, democrático, concentrou-se o mais possível na sua pessoa contra hipóteses que seriam catastróficas. Sofreram, com isto, outras candidaturas de esquerda que, a bem dizer, foram apenas propaganda partidária.
O estrondo da vitória de Seguro equivale ao estrondo das derrotas do Almirante e Marques Mendes, dados desde cedo como favoritos. O candidato da SIC esteve longe de repetir a façanha de Marcelo, após anos a fio de publicidade televisiva. São os grandes derrotados da noite e teriam tudo a ganhar com o anúncio do apoio a Seguro na segunda volta. Não lhes pode ser indiferente a decência versus a indecência.
Ventrulha teve sozinho menos 111 237 votos do que o Chega nas últimas legislativas. Bem pode cantar de galo, os números não metem: ficou longe de passar à segunda volta em primeiro, contra inúmeras sondagens que apontavam nesse sentido, e perdeu votos face às últimas legislativas, o que no seu caso é especialmente relevante: é líder do partido, tem uma candidatura fortemente partidarizada.
Por fim, o caso Cotrim. Depois de tudo o que se passou, 902 564 pessoas votaram nesta criatura que mostrou não saber onde tem a cabeça. Quase um milhão de portugueses não se importava de o ter como Presidente da República. Isto é desastroso.

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