Olhando para os
resultados nacionais, concluímos que a abstenção cresceu face às últimas
legislativas. Mais de 5 milhões de eleitores não foram votar. Isto, do meu
ponto de vista, continua a ser preocupante. Da mesma forma, embora mais
compreensível, também nos devem preocupar 65381 votos nulos e 61226 em branco.
Muito menos, curiosamente, do que nas últimas legislativas, que só em nulos
somou 172 379 votos. O boletim de voto destas presidenciais vai ficar para a
história como mais uma vergonha nacional. Não se percebe, por mais voltas que
se dê, a inclusão de três candidaturas recusadas. Dito isto:
Estrondosa vitória
de António José Seguro contra todas as expectativas iniciais. O país abrilista,
democrático, concentrou-se o mais possível na sua pessoa contra hipóteses que
seriam catastróficas. Sofreram, com isto, outras candidaturas de esquerda que,
a bem dizer, foram apenas propaganda partidária.
O estrondo da
vitória de Seguro equivale ao estrondo das derrotas do Almirante e Marques
Mendes, dados desde cedo como favoritos. O candidato da SIC esteve longe de
repetir a façanha de Marcelo, após anos a fio de publicidade televisiva. São os
grandes derrotados da noite e teriam tudo a ganhar com o anúncio do apoio a
Seguro na segunda volta. Não lhes pode ser indiferente a decência versus a
indecência.
Ventrulha teve
sozinho menos 111 237 votos do que o Chega nas últimas legislativas. Bem pode
cantar de galo, os números não metem: ficou longe de passar à segunda volta em
primeiro, contra inúmeras sondagens que apontavam nesse sentido, e perdeu votos
face às últimas legislativas, o que no seu caso é especialmente relevante: é
líder do partido, tem uma candidatura fortemente partidarizada.
Por fim, o caso
Cotrim. Depois de tudo o que se passou, 902 564 pessoas votaram nesta criatura
que mostrou não saber onde tem a cabeça. Quase um milhão de portugueses não se
importava de o ter como Presidente da República. Isto é desastroso.
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