Estes gestos dantes eram mais frequentes, correspondiam a
uma espécie de reconhecimento entre pares cujo principal valor se caracterizava, creio, pelo
desinteresse absoluto da distinção. Não conheço o Pedro Correia, como nunca conheci a maioria dos
pastores de weblogs com quem fui ou venho interagindo vai fazer 23 anos.
Migrados para redes sociais menos insulares e mais ruidosas, os “blogonautas”, para
citar o Pedro, metamorfosearam-se com o tempo em perfis, produtores de
conteúdos, selfie brothers (ocorreu-me esta agora). Continuo fiel ao weblog, é uma ferramenta de
trabalho, para dizer a verdade, um laboratório diário de que não prescindirei
enquanto for à borla. É também um arquivo onde vou reencontrando, por via de visitas
em massa provocadas por ligações algures, poemas como este Árbol de Diana que
verti para português em 2011 e teve na última semana centenas de visualizações algures situadas:
23
uma olhadela a partir do esgoto
pode ser uma visão do mundo
a revolução consiste em olhar uma rosa
até que os olhos sejam pulverizados
37
para lá de qualquer zona proibida
há um espelho para a nossa triste transparência
Alejandra Pizarnik, in Las Aventuras Perdidas (1958)
Versão de HMBF

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