MALACODA
veio três vezes
o gato-pingado
impassível por detrás do escudo do seu chapéu de coco
para medir
não lhe pagam para medir
este incorruptível no vestíbulo?
esta malebranca afundada até aos joelhos nos lírios
Malacoda afundado até aos joelhos nos lírios
Malacoda apesar de toda a sagaz reverência
que feltra o seu períneo abafa o seu sinal
suspirando através do ar pesado
tem de ser? tem de ser tem de ser
encontra as ervas daninhas prende-as no jardim
ela pode ouvir mas não precisa de ver
para encerrar no caixão
com auxílio dos ungulados
encontra as ervas daninhas fixa a sua atenção
ela tem de ouvir mas não precisa de ver
para cobrir
decerto cobrir tudo cobrir
a tua tarja permite-me detém o teu enxofre
divino barómetro da canícula apontando para o bom tempo
pára Scarmilhão pára pára
pousa este Huysum sobre a caixa
repara no inimigo é ele
ela tem de ouvir tem de ver
tudo a bordo todas as almas
a meia haste sim sim
não
Samuel Beckett, in Poemas Escolhidos, tradução de Jorge Rosa e Armando da Silva Carvalho, cadernos de poesia, Publicações Dom Quixote, Março de 1970, pp. 46-47.

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