AS 20 HISTÓRIAS DA AVOZINHA
O menino Zeca gostava muito de ouvir as histórias que a avozinha lhe contava.
Mas chegou um dia em que, quando a avó tinha começado a contar uma das suas histórias, o Zequinha interrompeu-a e disse:
«Esse conto não, avozinha, já ouvi, é o do Lobo Mau.»
A avozinha começou a contar outra história mas o Zequinha voltou a interromper:
«Essa também já conheço, avozinha, é a do macaco sem rabo.»
E a avozinha foi começando a contar outras histórias mas sempre o Zequinha ia dizendo:
«Essa não, já conheço, avozinha, conte outra.»
A avozinha, que era analfabeta e só tinha aprendido a contar pelos dedos, contou dez dedos das mãos e dez dedos dos pés e nessa altura viu que já tinha contado ao netinho todas as histórias que sabia.
Então a avozinha disse ao netinho:
«Olha, Zequinha, já não sei mais nenhuma história, pede ao teu pai que tas conte.»
Mas o pai do Zequinha não sabia nenhuma história porque era uma vítima de «Talidomida» que tinha nascido sem braços e sem pernas.
E as histórias do Zequinha ficaram por aqui.
NOTA DO AUTOR: Nós que somos do tempo em que a «Escola era risonha e franca» e não existia ainda o Ensino Básico obrigatório, e que igualmente só aprendemos a contar pelos dedos, nunca tendo conseguir preencher por completo os dedos das mãos e dos pés com qualquer espécie de contos (de Reis ou de Fadas), também resolvemos ficar por aqui.
Até porque acreditamos não existir, sequer, meia-dúzia de crianças verdadeiramente emancipadas no mundo inteiro.
Pedro Oom, in Actuação Escrita 1, &etc, 1980, p. 103.

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