No país dos egos crepitantes reinava a arte dos castelos
de areia. Raramente o núcleo da inteligência coincidia com o centro das
atenções, pelo que era à margem da autocelebrarão que o autoclismo cumpria o
seu papel. Nada de meio, tudo à margem, como o caminhante na direcção da foz ou
o pescador à espera que o peixe morda o isco. Repletas de seres zangados com o
mundo mas deveras satisfeitos consigo mesmos, as galerias enchiam-se nas verni
e finissages sem sageza digna de nota, a despeito de baratas tontas e pataratas
de mão dada com a vanguarda dos novelos de Ariadne, cerzideira de corredores
palacianos e cozinhas com cheiro a mofo. Havia um mestre de cerimónias, há
sempre, mas não tinha discípulos, entretinha-se e entredava-se apregoando ao
espaço sideral casas cheias de pulgas aos saltos para satisfação das
bilheteiras. Neste espectacular mundo, o cunnilingus e a felação haviam sido
substituídos pelas práticas onanistas dos lambedores de bilheteira (selos
tinham caído em desuso, tal como os seios e respectivos sutiãs). Ainda havia
crianças, adultas na idade e no percentil peso/altura, mas desprovidas de senso
tanto quanto altamente providas de curvaturas, as da servidão sim senhor. Ser
vidão, ora aí está uma espécie altamente prolixa nesses tempos de egos aos
saltos como pitos em êxtase. O vidão andava por todo o lado, tal a raça de
javali que hoje facilmente se encontra a focinhar lixo urbano. Antes fôssemos
vidões, dizia de si para si o mestre de cerimónias enquanto numa intervenção
pública impreparada citava O'Neill: fossemos o cherne. Isto não é um sonho,
também não é um pesadelo, muito menos uma coisa em forma de assim, é a mais
purgatória das idades reais.

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