sexta-feira, 8 de maio de 2026

TEATRO POBRE

 


   Por mais que o teatro disponha de meios materiais e por mais que explore os seus recursos mecânicos, continuará tecnologicamente inferior ao cinema e à televisão. Por conseguinte, prefiro a pobreza do teatro. Contentamo-nos com o esquema palco/auditório: em cada espectáculo, designam-se os espaços para actores e espectadores. Logo, torna-se possível variar infinitamente a relação actor/espectador. Os actores podem representar entre os espectadores, contactando directamente com o público, a quem outorgam um papel passivo no drama (...). Ou então, construir estruturas entre os espectadores, incluindo-os na arquitectura da acção, sujeitando-os a uma espécie de pressão, a uma amontoação, a uma limitação do espaço (...). Os espectadores podem estar separados dos actores - por uma cerca alta, por exemplo, acima da qual aparecem apenas as suas cabeças (...). Pode, também, utilizar-se todo o recinto como um local concreto (...). A eliminação da dicotomia palco/plateia não é o mais importante - cria simplesmente uma área adequada de investigação. O essencial reside em encontrar a relação espectador/actor adequada a cada tipo de espectáculo, enformando a decisão em elementos físicos.

Jerzy Grotowski, in Para Um Teatro Pobre, tradução de Rosa Macedo e J. A. Osório Mateus, forja, Agosto de 1975, pp. 17-18.

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