sábado, 16 de maio de 2026

DE UM POEMA DE MARIA LIS

 


(...)

Como seria se ali
no alto de um comboio
ateássemos toda a papelada
            acabássemos de vez
            com a infindável burocracia de existir
ficássemos a ver as chamas altas as cinzas
cobrirem o céu de baixo para cima.

Mas nada ardeu.

Os homens passaram a pente fino
as mochilas enquanto por sua vez
os encarregados lhes passaram um envelope gordo
assim em catadupa por todos os vagões.

E de novo a trepidação das engrenagens
seguiu o rumo igual
em frente ou em círculo.

(...)

Maria Lis, in Enclave, com fotografias de Ana Filipa Correia, segunda edição, Língua Morta, Setembro de 2025, p. 78.

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