(...)
Como seria se ali
no alto de um comboio
no alto de um comboio
ateássemos toda a papelada
acabássemos de vez
com a infindável burocracia de existir
ficássemos a ver as chamas altas as cinzas
cobrirem o céu de baixo para cima.
Mas nada ardeu.
Os homens passaram a pente fino
as mochilas enquanto por sua vez
os encarregados lhes passaram um envelope gordo
assim em catadupa por todos os vagões.
E de novo a trepidação das engrenagens
seguiu o rumo igual
em frente ou em círculo.
(...)
Maria Lis, in Enclave, com fotografias de Ana Filipa Correia, segunda edição, Língua Morta, Setembro de 2025, p. 78.

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