sábado, 16 de maio de 2026

PERFORMANCE

 
No meio da aldeia, ali aterrado como um OVNI, uma casa de família transformada num espaço. No jardim, jaulas com porquinhos-da-índia e um furão albino. Também rolas, patos, cães. Em construção, um projecto, dir-me-ão antes da recepção com bandeira vermelha. As histórias hiper-realistas remetem para relações virtuais, três corpos em cena dialogam com outro em videochamada. Há um operador, computadores, telemóveis, microfones, histeria. Serve-se um copo de vinho enquanto se contam histórias de encontros através de aplicações, relações frustradas por expectativas goradas fluindo para um final trágico, noticioso, de suicídios, frustrações, diagnósticos desfavoráveis e poesia com borboletas. Em pontas, uma das performers roda como uma boneca de corda. Dizem que é tudo mentira, mas, ao que parece, era tudo verdade, o que nos deixa na dúvida: porque acham as pessoas interessantes as suas próprias vidas, a ponto de as querem expor daquela maneira? Talvez seja uma forma de transportar para a cena o exibicionismo em rede. Talvez. Faltou-me ali um furão albino à solta. Estava numa gaiola.

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