JIDÁLOV (Para Dimba)
Mais uma rodada, ou quê? (Serve.) Em qualquer momento se pode beber. O mais importante é a acção, Kharlampi Spiridónitch, para não esquecermos os assuntos. Bebe, mas mantém a cabeça fresca... Mas se é para beber, porque não se há-de beber? Pode-se beber... à sua saúde!
Bebem.
Vocês lá na Grécia têm tigres?
DIMBA
Temos.
JIGÁLOV
E leões?
DIMBA
E também há leões. Na Rússia é que não há nada, mas na Grécia há de tudo. Eu tenho lá o meu pai e um tio, e irmãos, e aqui não tenho nada.
JIGÁLOV
Hum... E há cachalotes na Grécia?
DIMBA
Há de tudo.
NASTÁCIA TIMOFÉIEVNA (Para o marido.)
Para quê estar para aí a beber e a petiscar à toa? É tempo de todos se sentarem. Não espetes o garfo nos lagostins... Isso está aí para o general... Pode ser que ele ainda venha...
JIGÁLOV
E na Grécia também há lagostins?
DIMBA
Há--- Há de tudo.
JIGÁLOV
Hum... E também há funcionários civis? Há?
ZMEIÚKINA
Posso imaginar a atmosfera que há na Grécia!
JIGÁLOV
E por certo também há muita gatunice. Os gregos são como os arménios ou os ciganos. Para nos venderem uma esponja ou um peixe-dourado falam de uma maneira que nos intrujam. Repetimos, ou quê?
Anton Tchékhov, traduzido por António Pescada, da peça A Boda, in Peças em Um Acto, Relógio D'Água, Abril de 2026, pp. 142-143.

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