O meu país é o meu
corpo
Para lá das
fronteiras do meu corpo
não me reconheço de
país algum
Da língua não faço
pátria
Por fortuna ou azar
calhou-me esta e
não outra
A ter mátria seria
talvez
uma língua de fogo
no deserto
Do passado não me
orgulho
nem me envergonho
Não foi meu e já
passou
O que me
desassossega é ter
de carregar comigo
para todo o lado
este presente a
cada segundo desfeito
sem futuro que nos
motive
Bandeiras são
trapos ao vento
Hinos são fraseados
de mau gosto
Não me digam de um
país
que não seja a
minha própria morte
a cada dia vivida
em tragos sôfregos
de bebedeira e
liberdade
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