quarta-feira, 10 de junho de 2026

O MEU PAÍS É O MEU CORPO

 
O meu país é o meu corpo
Para lá das fronteiras do meu corpo
não me reconheço de país algum
Da língua não faço pátria
Por fortuna ou azar
calhou-me esta e não outra
A ter mátria seria talvez
uma língua de fogo no deserto
Do passado não me orgulho
nem me envergonho
Não foi meu e já passou
O que me desassossega é ter
de carregar comigo para todo o lado
este presente a cada segundo desfeito
sem futuro que nos motive
Bandeiras são trapos ao vento
Hinos são fraseados de mau gosto
Não me digam de um país
que não seja a minha própria morte
a cada dia vivida em tragos sôfregos
de bebedeira e liberdade

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