domingo, 19 de julho de 2026

PESADELOS DIURNOS

 


   Li algures que, em certas cidades americanas, havia mais carros do que habitantes. Imagino um mundo em que os seres humanos ficarão para sempre paralisados, incapazes de avançar - como experimentamos em certos sonhos -, encerrados no habitáculo do que tinham acreditado ser automóveis. Bem poderão gritar, pedir socorro, ninguém os poderá libertar, uma vez que cada um de todos os outros sofrerá a mesma sorte.
   Acontece-me ter pesadelos diurnos.

J.-B. Pontalis, in À Margem das Noites, tradução de Miguel Serras Pereira, Companhia das Ilhas, Maio de 2026, p. 132.

Sem comentários: