Li algures que, em certas cidades americanas, havia mais carros do que habitantes. Imagino um mundo em que os seres humanos ficarão para sempre paralisados, incapazes de avançar - como experimentamos em certos sonhos -, encerrados no habitáculo do que tinham acreditado ser automóveis. Bem poderão gritar, pedir socorro, ninguém os poderá libertar, uma vez que cada um de todos os outros sofrerá a mesma sorte.
Acontece-me ter pesadelos diurnos.
J.-B. Pontalis, in À Margem das Noites, tradução de Miguel Serras Pereira, Companhia das Ilhas, Maio de 2026, p. 132.

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