Escrevo na margem de um livro: partir para tudo pela
negativa, a necessidade de inventar problemas onde eles não existem, uma
inclinação incorrigível para a intriga mesquinha, complexos de inferioridade, a
mão que treme, a voz que falha, os nomes, todos?, alguns?, uns mais do que
outros?, quando?, porquê?, há que gerir bem o esforço, dizer o contrário do que
se faz, fazer o contrário do que se diz, o que é assim hoje amanhã já não será,
portanto, o que era assim. Porque terei escrito isto na margem do livro?
Estaria a pensar em alguém? Estaria a imaginar uma personagem? Tenho de
prevenir-me contra as personagens.
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