Comecei por tentar dominar a linguagem da pintura. Como
um domador de cavalos, fui rapidamente ao chão. Tentei dominar a linguagem da
música e fracassei. Depois apliquei-me no domínio da linguagem filosófica,
aprendendo ser coisa indómita. Parti para os domínios da poesia e acabei completamente
dominada. Acusaram-me de não dominar a linguagem teatral, mal sabendo quão
certos estavam. Acabo sempre por ser dominado e sem saber o que cada uma destas
linguagens é autonomamente. Uns dizem uma coisa, outros outra, e no labirinto
das coisas que se pensam, escrevem, dizem, somos ícaros no dedáleo labirinto de
Minotauro. Haverá sempre quem julgue dominar alguma coisa, dominadores
dominantes nunca faltaram neste mundo. Os dominadores das linguagens têm asas
de cera.
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