quinta-feira, 16 de julho de 2026

ASAS DE CERA

 
Comecei por tentar dominar a linguagem da pintura. Como um domador de cavalos, fui rapidamente ao chão. Tentei dominar a linguagem da música e fracassei. Depois apliquei-me no domínio da linguagem filosófica, aprendendo ser coisa indómita. Parti para os domínios da poesia e acabei completamente dominada. Acusaram-me de não dominar a linguagem teatral, mal sabendo quão certos estavam. Acabo sempre por ser dominado e sem saber o que cada uma destas linguagens é autonomamente. Uns dizem uma coisa, outros outra, e no labirinto das coisas que se pensam, escrevem, dizem, somos ícaros no dedáleo labirinto de Minotauro. Haverá sempre quem julgue dominar alguma coisa, dominadores dominantes nunca faltaram neste mundo. Os dominadores das linguagens têm asas de cera.

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