Pontalis diz que «a vitória do nada abate o deprimido.»
Abater o deprimido parece-me redundante, um pleonasmo. Já a vitória do nada
interessa-me, sobretudo associada à depressão. Vitória remete para competição.
Estará o deprimido em competição com alguém ou alguma coisa a não ser consigo próprio?
A grande e única vitória do deprimido é conservar-se vivo, pois a verdade é que ele não aprecia assim tando a vida. Viver não lhe é uma necessidade nem um gozo, não é um projecto, é o fardo que
carrega. O seu único projecto: conseguir carregar o fardo até ao fim.
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